ALDEIA 7 : Natureza Meio Ambiente - Ciência - Política
Biodiversidade, Desiquilíbrio Climático, Sustentabilidade, Desmatamento, Poluição, Fauna e Flora e a Importância da Água na Manutenção da Vida e Ciência.
15 de julho de 2026
O GOVERNO TRUMP TIROU DO AR O SITE DO GOVERNO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS, MAS OS CIENTISTAS RECONSTRUÍRAM O SITE E O COLOCOU NO AR NOVAMENTE
Quando um site público sobre clima saiu do ar e centenas de cientistas federais perderam seus cargos, parecia que anos de pesquisas, relatórios e dados ambientais simplesmente desapareceriam da vista da população.
Mas um grupo de ex-funcionários da NOAA decidiu não aceitar esse apagão científico.
À frente da mobilização estava Rebecca Lindsey, ex-diretora do programa responsável pelo antigo climate.gov. Com ela, mais de 80 pesquisadores voluntários começaram uma espécie de reconstrução contra o tempo: recuperar, organizar e recolocar no ar informações climáticas que antes estavam disponíveis ao público.
O resultado foi o climate.us, uma plataforma independente criada para preservar esse acervo. Mais de mil relatórios e conjuntos de dados sobre clima foram recatalogados e restaurados, impedindo que décadas de conhecimento científico fossem enterradas por decisões políticas.
A iniciativa só avançou graças ao apoio popular. Cerca de 2.500 doadores contribuíram coletivamente com US$ 250 mil, valor que cobriu aproximadamente um terço do orçamento operacional do projeto.
Para especialistas em clima, o novo site vai além de um arquivo digital. Ele ajuda cidadãos comuns a entenderem como grandes mudanças climáticas globais se conectam diretamente com suas cidades, seus bairros e suas vidas.
No fim, o que nasceu de uma tentativa de silenciamento virou um símbolo de resistência científica: um refúgio permanente para dados públicos essenciais sobre o planeta em transformação.
Fonte: Bonasia, C. (2026). Fired Scientists Revive the Climate Website Trump Shut Down. The Energy Mix.
10 de julho de 2026
Risco climático já influencia investimentos, operações e lucros das empresas no Brasil
Jade Ramos
15/06/2026 às 09:41
Hoje, as variáveis meteorológicas como chuva, temperatura, umidade e ventos, já influenciam diretamente operações logísticas, planejamento energético, produtividade agrícola, estratégias financeiras e a precificação de ativos e seguros. Com a evolução dessas análises nos últimos anos, o clima passou a ser considerado um fator de risco econômico e muitas empresas precisam introduzir dentro dos seus custos operacionais, um planejamento para eventos meteorológicos extremos, afim de mapear possíveis perdas financeiras em seus ativos associados as condições meteorológicas.
Diante desse cenário, o risco climático está cada vez mais evidente, na medida em que ocorrem sistemas meteorológicos com potencial extremo sobre a América do Sul.
Logo, estamos diante da vulnerabilidade de setores altamente dependentes das condições meteorológicas.
Com isso, a chamada “inteligência climática” ganha espaço nas estratégias corporativas e reforça a importância da previsão do tempo não apenas como ferramenta de monitoramento, mas como instrumento de perfomance financeira.
Entre os setores mais impactados, o Agronegócio segue como um dos mais sensíveis, já que depende diretamente do comportamento de chuvas, temperatura, umidade do solo e da ocorrência de extremos meteorológicos, as consequências, podem ser inevitáveis e difícies de digerir no sistema financeiro:
- Quebras de safra,
- Alterações no calendário agrícola,
- Variações de custo logísticos,
- Produtividade,
- Preços mais competitivos,
- Custo de exportação.
- Nas hidrelétricas, o regime de chuvas é decisivo para o nível dos reservatórios e para a vazão dos rios, o que influencia a capacidade de geração e o planejamento da operação, especialmente em períodos de seca prolongada ou de chuvas irregulares.
- Na geração eólica, a intensidade, a constância e a direção dos ventos determinam a produtividade dos parques, de modo que mudanças no comportamento atmosférico podem alterar a previsibilidade da entrega de energia.
- Já a fonte solar é sensível à nebulosidade, à radiação disponível e também à temperatura: embora dias mais quentes possam sugerir maior geração, o excesso de calor pode reduzir a eficiência dos painéis.
- Entre as fontes não renováveis, as termoelétricas sofrem com ondas de calor e escassez hídrica, que podem elevar a demanda justamente quando aumentam as restrições de resfriamento e de operação.
- No caso das usinas nucleares, a temperatura da água usada no resfriamento e a disponibilidade hídrica também são fatores críticos, já que extremos térmicos ou hidrológicos podem exigir ajustes operacionais por razões de segurança e eficiência.
Para investidores e instituições financeiras, risco climático passa a influenciar concessão de crédito, avaliação de ativos, governança e decisões de alocação de capital.
Atualmente, a previsão do tempo já faz parte do planejamento operacional de diversos setores da economia. Porém, em um cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos, monitorar apenas as condições meteorológicas não será suficiente.
As empresas precisarão evoluir para uma gestão mais ampla do risco climático, capaz de identificar vulnerabilidades e antecipar impactos que podem resultar em perdas financeiras, danos a ativos, interrupções na cadeia de suprimentos, redução de produtividade e maior pressão por parte de investidores e seguradoras.
O clima passa, assim, a ocupar uma posição estratégica dentro das decisões de negócio.
“As mudanças climáticas geram uma série de flutuações financeiras, desencadeiam riscos financeiros sistêmicos e colocam em risco a segurança e a estabilidade do setor financeiro. Cientistas já apontam há alguns anos, que o risco climático pode ser a causa de perdas globais de ativos financeiros de até US$ 24 trilhões.“Gestão de riscos climáticos, como as empresas podem se beneficiar da sustentabilidade corporativa?
Nesse momento, o clima passa a ser visto de forma uníssona ao cenário econômico e caminhar lado a lado com a gestão de riscos e a sustentabilidade corporativa.
Se antes, o clima era visto de forma secundária em um modelo de negócio.
Atualmente, a condição climática pode ditar as regras de uma empresa, de toda uma operação e de estratégias comerciais.
Isso exige das empresas uma visão mais integrada entre prevenção, adaptação, compliance, resiliência e planejamento de longo prazo.
Mais do que responder a desastres quando eles acontecem, a agenda corporativa passa a demandar capacidade de antecipação. Isso envolve monitorar vulnerabilidades, mapear impactos sobre ativos críticos, criar planos de contingência, revisar cadeias de suprimento e incorporar variáveis climáticas à tomada de decisão com mais consistência.
A previsão do tempo entra nesse jogo, porque é no monitoramento meteorológico que podemos garantir segurança em uma estratégia comercial.
E a medida em que avançamos em tecnologias de previsão do tempo, excelência no monitoramento e precisão, estaremos mitigando os impactos dos eventos extremos no Brasil.
A mudança é relevante também do ponto de vista reputacional e regulatório. À medida que investidores, clientes, seguradoras e o próprio mercado passam a exigir maior transparência sobre exposição e gestão de risco climático, empresas que tratam o tema de forma estruturada tendem a sair na frente. Não apenas por reduzir perdas, mas por melhorar sua capacidade de adaptação, proteger operações e sustentar competitividade em um cenário mais volátil.
Nesse contexto, a inteligência climática se consolida como aliada da gestão mais moderna. Ao transformar dados meteorológicos em informação aplicada ao negócio, ela ajuda empresas a agir antes do impacto, reduzir incertezas e tomar decisões mais qualificadas.
Em um país cada vez mais exposto a eventos meteorológicos extremos, apenas realizar uma previsão do tempo, já não basta: será cada vez mais necessário entender o que a previsão do tempo significa para a operação, para o fluxo de caixa e para o futuro das empresas brasileiras.
E para continuar acompanhando mais atualizações sobre riscos climáticos no Brasil, consulte o site e os canais da Climatempo.
9 de julho de 2026
El Niño chegou! Quais os riscos para o Brasil?
No dia 11 de junho de 2026, a chegada do El Niño foi oficialmente confirmada por centros meteorológicos internacionais. O fenômeno, que ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial apresentam temperaturas acima da média, pode influenciar o regime de chuvas e as temperaturas em diversas partes do mundo – e o Brasil não está fora dessa.
Pelo contrário: por aqui, os impactos podem ser avassaladores, cobrando um preço alto da nossa infraestrutura e, principalmente, colocando milhares de vidas e comunidades inteiras em risco. Por isso, o diagnóstico acendeu o sinal de alerta máximo em governos estaduais, defesas civis e no setor do agronegócio.
Na semana passada, lançamos outro especial sobre o El Niño, que você pode conferir aqui:
• El Niño vai transformar o clima no Brasil;...
Hoje, vamos focar nos efeitos aqui no Brasil!
Olhar Digital
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Texto de autoria do canal "Olhar Digital"
5 de julho de 2026
ELEIÇÕES 2026 - Como identificar notícias falsas-
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4 de julho de 2026
Super El Niño: Brasil se prepara para novo ciclo de eventos extremos
Após enchentes históricas no Sul, secas severas na Amazônia e recordes de calor em diversas regiões do país, cientistas monitoram a formação de um novo El Niño que pode intensificar os extremos climáticos ao longo do segundo semestre de 2026.
FENÔMENO NATURAL PREOCUPA CIENTISTAS NO MUNDO E PODE AFETAR O BRASIL
Ondas de calor na Europa são reflexo do aquecimento global, afirma Carlos Nobre
Por Redação TMC04/07/26 às 15h39
O climatologista Carlos Nobre, pesquisador sênior da Universidade de São Paulo, em entrevista para a TMC, afirmou que as ondas de calor extremas registradas na Europa nos últimos anos estão diretamente ligadas ao aquecimento global, fenômeno que atinge o mundo inteiro, mas de forma mais intensa no continente europeu. Segundo ele, o aquecimento bateu recordes em 2023, 2024 e 2025, e nos primeiros meses deste ano as temperaturas já chegaram a 45 graus em algumas regiões.
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Nobre lembrou que a ciência vem alertando há décadas que, quando a temperatura global chegasse a 1,5 grau, eventos extremos como ondas de calor, chuvas excessivas, secas, incêndios florestais, vendavais e ressacas nas costas passariam a acontecer com muito mais força, exatamente o que vem ocorrendo nos últimos anos, de acordo com o climatologista.
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Segundo Nobre, as ondas de calor recentes também têm relação com um sistema de alta pressão originado no norte da África, que cruza o Mediterrâneo e atinge boa parte da Europa, principalmente a Europa Ocidental. Esse sistema impede a formação de nuvens, o que faz o sol aquecer ainda mais a região. Em vários países europeus, a temperatura passou dos 40 graus, chegando a 47°C e 48°C em alguns pontos.
O climatologista defendeu que a discussão sobre o clima não deveria ser tratada como uma questão ideológica ou política. “Sem dúvida, a ciência já mostra com clareza que nós atingiremos 1,5 graus de aquecimento permanentemente até 2030”, afirmou. Segundo ele, é preciso agir imediatamente para evitar o que chamou de “ecocídio” — um suicídio ecológico.
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Carlos Nobre citou que as emissões de gases de efeito estufa bateram recorde em 2025 e continuam aumentando neste ano. Na COP 30, em Belém, o Brasil apresentou uma proposta para reduzir o desmatamento e acelerar o fim do uso de combustíveis fósseis, mas não houve consenso entre os países.
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Caso as emissões não sejam reduzidas de forma acelerada, o pesquisador afirmou que o mundo pode chegar a um aquecimento de 2 a 2,5 graus até 2050. Nesse cenário, o Brasil perderia a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal e a Caatinga, os recifes de coral seriam extintos, e o permafrost — solo congelado na Sibéria e no norte do Canadá — começaria a descongelar, liberando uma quantidade enorme de gases de efeito estufa hoje aprisionados no gelo. “Se isso acontecer, pronto, acabou”, disse Nobre, ao afirmar que, nesse cenário, o aquecimento pode chegar a 3 ou 4 graus, configurando o que ele chama de “ecocídio”.
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Questionado sobre o que pode ser feito para ajudar as pessoas que sofrem com o calor extremo, Nobre citou o exemplo de Barcelona, que após ondas de calor fortes em 2022 que mataram muitas pessoas, criou locais com piscinas, ambiente climatizado e atendimento médico. A cidade passou a mapear pessoas vulneráveis — idosos, doentes e bebês — para removê-las a esses locais sempre que há previsão de onda de calor.
O pesquisador também mencionou que, na França, onde pessoas morreram afogadas ao tentar se refrescar em rios durante o calor extremo, várias escolas retiraram áreas de estacionamento sem vegetação e reflorestaram os espaços, o que reduziu a temperatura local entre 4 e 6 graus durante as ondas de calor.
“O Brasil é um dos países que menos tem vegetação nas cidades. Nós temos uma enorme responsabilidade de fazer uma grande restauração florestal”, afirmou Nobre.
Europa pode enfrentar novas ondas de calor? Meteorologista faz alerta
Nações Unidas: Mudanças Climáticas
Durante o #TMC360, Carlos Nobre alertou que a onda de calor extremo na Europa pode não ser um evento isolado. Segundo o meteorologista, os recordes de aquecimento global registrados nos últimos anos aumentam a frequência e a intensidade desses fenômenos climáticos.
🟠 Transamérica agora é TMC🟠 Quem escuta, sabe. Acesse nosso site: https://tmc.com.br/
3 de julho de 2026
Rio Tietê não tem trecho livre de contaminação, mostra levantamento inédito
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O rio Tietê não tem nenhum trecho plenamente livre de contaminação. É o que mostra a Expedição Tietê 2025, realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com universidades e centros de pesquisa e apoio do Instituti Itaúsa. Com uma equipe multidisciplinar e análises de diversos parâmetros da qualidade da água ao longo de mais de 1.100 quilômetros, da nascente em Salesópolis à foz no rio Paraná, em Itapura, o levantamento traçou um retrato inédito das condições ambientais do Tietê. Foram identificados microplásticos em todos os 14 pontos analisados, além de 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias entre fármacos e drogas ilícitas.
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A principal conclusão é que o Tietê apresenta múltiplas camadas simultâneas de contaminação: microbiológica, química, farmacológica, plástica, agrícola e orgânica. Essas pressões variam ao longo do percurso e refletem diretamente a urbanização, o saneamento insuficiente, o uso agrícola do solo, a presença de reservatórios e as mudanças na ocupação da bacia. O relatório completo está disponível aqui.
Pesquisadoras e pesquisadores coletaram amostras da água em 14 pontos do rio.
Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica, explica que os dados exigem uma leitura integrada da bacia. “O rio reflete as marcas do esgoto, dos padrões de consumo cotidiano, dos resíduos plásticos, das atividades agrícolas e do uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica. Quando encontramos microplásticos em todos os pontos, agrotóxicos ao longo do percurso e substâncias como fármacos e drogas ilícitas na água, não estamos olhando para problemas separados, mas de um conjunto de pressões que atuam de forma simultânea e cumulativa. Por isso, a recuperação do Tietê exige uma abordagem integrada, que combine ampliação do saneamento, fiscalização efetiva, planejamento territorial e monitoramento contínuo da qualidade ambiental, envolvendo Estado, municípios, comitês de bacias hidrográficas, indústrias, comércio, agricultores e população”, diz.
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O coordenador ressalta também que os impactos não atuam de forma isolada. “Microplásticos podem transportar agrotóxicos e fármacos, o excesso de matéria orgânica favorece a proliferação de microrganismos e, consequentemente, reduz a oxigenação da água, dificultando a decomposição natural de parte dos poluentes”, completa.

A nascente, único trecho de água com qualidade ótima, ainda registrou presença de microplásticos e inseticidas.
Microplásticos, remédios e agrotóxicos da nascente à foz
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Os microplásticos, presentes em todos os pontos, variaram de 330 a 23.587 partículas por metro cúbico, enquanto a predominância de fibras aponta para fontes como efluentes domésticos e industriais, drenagem urbana, lavagem de roupas sintéticas e descarte inadequado de resíduos. As maiores concentrações foram registradas em trechos urbanos, como Osasco, e em reservatórios do interior, como Promissão, onde se registrou o pico, já que as barragens funcionam como zonas de retenção e chegam a acumular de 10 a 17 vezes mais partículas do que os trechos de correnteza. Na comparação internacional, os níveis observados no Tietê ficam abaixo dos de alguns rios asiáticos e acima dos de regiões europeias, o que leva os pesquisadores a classificarem o sistema como de impacto moderado a forte.
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As 16 substâncias identificadas entre fármacos e drogas ilícitas – incluindo cocaína e seu metabólito, a benzoilecgonina, além de carbamazepina, diclofenaco e losartana – funcionam como sinais químicos da presença humana no rio. A cafeína, detectada em todos os pontos, consolida-se como marcador da poluição por esgoto doméstico. O conjunto revela hábitos de consumo, uso de medicamentos, circulação de substâncias ilícitas e a insuficiência do tratamento de esgoto para impedir que esses resíduos cheguem aos corpos d'água.

Trecho do rio em Guarulhos, quando começa a concentração da região metropolitana.
Já os 25 tipos de agrotóxicos, de um total de 46 compostos investigados, mostram que a poluição do Tietê não se restringe às áreas urbanas. Nos trechos do Médio e Baixo Tietê, os resultados indicam maior influência agrícola, associada ao cultivo de cana-de-açúcar, soja e citros. Chama atenção a presença de atrazina, herbicida proibido na União Europeia desde 2004 e ainda amplamente usado no Brasil, detectado no Tietê acima dos limites legais em alguns trechos. O achado reforça a importância de ampliar o monitoramento de substâncias usadas na atividade agrícola e seus impactos sobre os recursos hídricos.
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As análises físico-químicas também apontaram metais acima dos limites legais. O cobre foi detectado em concentrações além do permitido em todos os pontos analisados (associado a fungicidas agrícolas, descargas industriais e corrosão de tubulações), enquanto o alumínio excedeu o limite em vários trechos. Em excesso, esses metais podem ser tóxicos para a vida aquática e reforçam a necessidade de monitoramento contínuo da qualidade da água.

No interior do Estado, grandes barragens e o cultivo predominante de cana-de-açúcar moldam o Tietê.
Os parâmetros de carbono, nitrogênio e oxigênio dissolvido, por sua vez, ajudam a explicar o funcionamento ambiental do rio. Quando há muita matéria orgânica e nutrientes na água, a atividade de bactérias decompositoras aumenta e consome oxigênio, piorando as condições para a vida aquática. As menores concentrações de oxigênio dissolvido foram registradas em Guarulhos e Osasco, com 0,37 mg/L e 0,49 mg/L. Na nascente, em Salesópolis, o valor foi de 6 mg/L; na foz, em Itapura, chegou a 8,6 mg/L – uma recuperação parcial da oxigenação no trecho final, que não elimina a presença de contaminantes químicos, farmacológicos, plásticos, metálicos e agrícolas.
Um diagnóstico bioquímico da sociedade paulista
Os contaminantes encontrados refletem hábitos e padrões de consumo da população, funcionando como um verdadeiro “diagnóstico bioquímico coletivo” da sociedade paulista. Os dados microbiológicos indicam presença de bactérias fecais, patógenos, parasitas e organismos associados a doenças gastrointestinais. Já nas amostras coletadas na nascente, alguns indicadores ficaram acima dos limites legais para rios de melhor qualidade, chegando, em determinados casos, a até 40 vezes o permitido. Somada à detecção de fármacos e drogas ilícitas, essa condição faz do rio um indicador indireto das condições sanitárias e do modelo de ocupação dos territórios que atravessa.

Equipe utilizou barcos em diversos trechos da expedição para poder coletar a água no ponto médio entre as margens.
“O Tietê não pode ser entendido apenas a partir daquilo que é visível, como cor, odor, espuma ou lixo. A expedição mostra uma camada menos evidente da poluição, formada por contaminantes que expõem as condições sanitárias, os hábitos de consumo e a forma como ocupamos a bacia. Esses dados são essenciais para orientar políticas públicas e cobrar ações concretas de recuperação do rio”, afirma Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.
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Para Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da organização, o diagnóstico aponta para o caminho da solução. “A poluição do Tietê não nasce de uma única fonte e não será resolvida por uma única medida. Recuperar o rio exige saneamento, fiscalização, planejamento territorial, mudanças nas práticas agropecuárias, recuperação florestal e monitoramento contínuo, avançando de forma articulada ao longo de toda a bacia e no longo prazo.”
A Expedição Tietê
Realizada entre 9 e 14 de junho de 2025, a Expedição Tietê 2025 marca uma nova frente técnico-científica da Fundação SOS Mata Atlântica – vinculada à causa Água Limpa e ao programa Observando os Rios, que monitora a qualidade da água do Tietê desde 1993. Foi desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (CENA/USP) e Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), com participação de especialistas do Instituto do Mar da Unifesp, da Unifesp Baixada Santista, do Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP e do Projeto Índice de Poluentes Hídricos da USCS.
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Com apoio do Instituto Itaúsa, a Expedição Tietê 2025 amplia o alcance do monitoramento histórico realizado pela SOS Mata Atlântica e coloca o Tietê no centro de debates nacionais e internacionais sobre qualidade da água.

A expedição foi acompanhada em tempo real por TVs e veículos paulistas, chamando atenção para o rio.
Ao reunir, em um mesmo percurso, análises microbiológicas, parasitológicas, físico-químicas, biogeoquímicas, de microplásticos, agrotóxicos, fármacos e drogas ilícitas, a iniciativa permite observar como diferentes pressões ambientais se combinam em uma grande bacia hidrográfica.
Até onde se tem conhecimento, trata-se de uma das primeiras iniciativas no Brasil a percorrer integralmente um rio dessa escala com uma abordagem multidisciplinar tão ampla, conectando contaminantes clássicos, como esgoto e metais, a temas emergentes da agenda global, como microplásticos, resíduos farmacológicos, drogas ilícitas, agrotóxicos e mudanças no uso do solo.
Navegue diretamente pelos dados aqui.

Equipe da Fundação SOS Mata Atlântica e cientistas na foz do rio, na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul.
Fotos: Léo Barrilari.
1 de julho de 2026
Iniciativas locais que fortalecem o cuidado com o Rio Pinheiros | Edital Floating Bar
A qualidade e a precisão podem variar.
A SOS Mata Atlântica apresenta seis projetos selecionados através do edital Floating Bar para a revitalização da bacia do Rio Pinheiros. A iniciativa busca integrar educação ambiental e soluções baseadas na natureza para enfrentar desafios urbanos como enchentes e poluição, fortalecendo a conexão entre as pessoas e os recursos hídricos da cidade.
21 de junho de 2026
Trump não se confunde, mas mente e espalha desinformação ao falar em 'Bolsonaro Jr.' | Daniela Lima