De https://www.greenpeace.org/brasil/
Sobre o(a) autor(a)Camila Doretto
Jornalista do Greenpeace Brasil e Analista de Engajamento na Campanha de Justiça Climática. Atua com reportagem, pesquisa de conteúdo, estratégia de engajamento e produção de comunicação sobre temas socioambientais, política e educação.
Não é a primeira vez. No início de 2022, a voluntária do Greenpeace Brasil Mariana Faria relatou como chuvas intensas atingiram a cidade de Juatuba entre os ias 5 e 10 de janeiro. Ela descreveu a sensação de medo e indignação que permaneceu mesmo após a água baixar, e criticou a falta de iniciativas de contenção de enchentes que poderiam ter mitigado os danos.
Estudos climáticos também apontam que as enchentes de 2020 em Minas Gerais tiveram probabilidade ampliada pelo aquecimento global, um indicativo de que chuvas extremas tendem a tornar eventos como os da semana passada mais frequentes sem políticas robustas de adaptação climática e redução de emissões.
"Não é fatalidade. É a soma da crise climática com cidades despreparadas e políticas públicas insuficientes.
Após os alagamentos, o padrão se repete: decretos de calamidade, visitas oficiais e promessas.
"Prevenção não pode ser feita depois que a água baixa. A redução drástica de investimentos em ações relacionadas aos impactos das chuvas significa menos obras de drenagem, menos contenção de encostas e menos planejamento urbano, aumentando o risco para quem já vive em áreas vulnerabilizadas historicamente."
Dados do Portal da Transparência mostram que os investimentos estaduais em prevenção de desastres caiu drasticamente entre 2023 e 2025. Passou de mais de R$ 135 milhões para cerca de R$ 6 milhões em dois anos. Uma redução de quase 96%.
"Falta prioridade orçamentária.
Gilvan lembra ainda que o impacto é desigual. Enquanto áreas centrais se recuperam mais rápido, nas periferias a perda é total: móveis, documentos, memórias e segurança. Essa dinâmica revela o que especialistas chamam de racismo ambiental.
Para Gilvan, a crise climática não é apenas ambiental. “É sobre orçamento público. É sobre decisão política. É sobre quem pode se proteger e quem é deixado para trás.”
Minas Gerais não enfrenta um episódio isolado, mas um padrão que tende a se repetir. E Gilvan cobra:
“ A Zona da Mata mineira não precisa apenas de solidariedade após a tragédia. Precisa de compromisso permanente com adaptação climática, política habitacional e prioridade orçamentária
Antes da próxima chuva.
Daniel Camargos
