"Os bons ideais aproximam as pessoas que olham o mundo não apenas para si, mas para todos"Rivaldo R. Ribeiro

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3 de setembro de 2026

SUPER EL NIÑO NO BRASIL: o que esperar?

 


Em setembro de 2023, um lago no meio da Amazônia secou até virar quase uma poça, a água esquentou a 40°C e 70 botos morreram em um único dia. No mesmo mês, a 3 mil quilômetros dali, uma cidade se afogava. Por mais opostas que pareçam, as duas tragédias têm exatamente a mesma causa.
Esse personagem invisível mora no meio do Oceano Pacífico. Quando ele aparece, o Brasil se parte em dois: o Norte seca e pega fogo, enquanto o Sul se afoga. E os órgãos como INMET e NOAA já avisam que uma nova edição está chegando em 2026, com previsão de ser uma das mais fortes já medidas.
Para entender por que a de 2023 foi a pior seca da história da Amazônia, mergulhamos na ciência. O pesquisador Antonio Donato Nobre explica como a floresta fabrica a própria chuva em O Futuro Climático da Amazônia; um estudo da USP mede quanto o desmatamento pesou na estiagem; e o historiador Mike Davis mostra, em Holocaustos Coloniais, um padrão que se repete desde 1877. Só que aqui vem a parte que não depende do Pacífico. O aviso chegou meses antes da água ferver, o país tinha alerta, ciência e lei na mesa, e mesmo assim foi pego de surpresa. 
Por quê? A resposta tem 150 anos e ninguém quis aprender com ela.

No fim, uma seca que mata e uma enchente que afoga começam na física do oceano, mas passam pela floresta, pelo pulmão de uma criança e pela escolha de quem decide onde colocar o dinheiro.

Paulo Jubilut

Paulo Jubilut é professor de biologia, fundador do Aprova Total e criador do PqC Brasil. Com milhões de inscritos nas redes sociais, é referência nacional em ensino de Ciências da Natureza pela sua didática focada em mecanismos de causa e efeito

23 de agosto de 2026

Super El Niño 2026: 10 fatos que você precisa saber

 Saiba o que é o El Niño, sua relação com a crise climática e como se preparar para a seca, enchentes, queimadas e ondas de calor.

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El Niño é um fenômeno climático natural e recorrente que tem se tornado cada vez mais frequente e intenso. A queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e o avanço da agropecuária contribuem para agravar seus efeitos, que são potencializados pela crise climática e pela desigualdade social. Como resultado, populações vulnerabilizadas e ecossistemas sensíveis ficam mais expostos a eventos extremos.

Os impactos do El Niño no Brasil costumam incluir o agravamento de secas, enchentes, ondas de calor, incêndios florestais, branqueamento de corais e aumento no preço de alimentos. Na última passagem do El Niño, em 2024, o país enfrentou a maior estiagem da história — com rios secos, queimadas intensas e muita fumaça na Amazônia e no Pantanal — e fortes chuvas, como as causadoras das enchentes no Rio Grande do Sul, o pior desastre climático do estado.

Quando esses eventos extremos se combinam com falta de planejamento público, os prejuízos sociais, econômicos e ambientais aumentam.

1. Como o El Niño afeta as regiões do Brasil?

Os impactos do El Niño variam entre as regiões. No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o fenômeno agrava a seca, o calor extremo e as queimadas. No Sudeste, favorece ondas de calor, baixa umidade e insegurança hídrica. No Sul, geralmente provoca chuvas acima da média, enchentes e deslizamentos. Em todo o Brasil, os preços dos alimentos, da água e da energia podem aumentar.

2. O que significa El Niño?

Segundo a agência científica NOAA, o nome El Niño surgiu há cerca de 200 anos, quando pescadores peruanos observaram que as águas do Oceano Pacífico ficavam mais quentes em determinados períodos, geralmente próximos ao Natal. Em homenagem ao Menino Jesus, eles passaram a chamar o fenômeno de “o menino” em espanhol.

3. Qual a relação entre El Niño e mudanças climáticas?

O El Niño está associado ao aquecimento das águas do oceano. Em um planeta mais quente devido às emissões de gases de efeito estufa (GEE), os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor gerado pela crise climática, influenciando regimes de chuva e vento, e potencializando eventos extremos.

4. Super El Niño não é alarme, é alerta

Ainda não é possível prever a intensidade do El Niño, mas os sistemas de monitoramento indicam que o fenômeno chegou e que precisamos de ação climática urgente, como mostram os efeitos das fortes chuvas, secas e ondas de calor nos últimos anos. De acordo com a plataforma Adapta Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 65% dos municípios brasileiros têm baixa capacidade de adaptação climática, um alerta do quanto precisamos nos antecipar antes das tragédias acontecerem.

5. Risco de queimadas e fumaça

A maioria dos incêndios florestais tem origem humana. Em anos de El Niño, as queimadas tendem a se intensificar, como foi em 2024, quando a fumaça atingiu 10 estados da Amazônia e do Pantanal, aumentando problemas respiratórios, especialmente entre populações indígenas, ribeirinhas e periféricas. Relatório do Greenpeace mostra que a qualidade do ar violou as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). O desmatamento e a degradação da floresta favorecem a propagação do fogo, que amplia as emissões, retroalimentando a crise climática.
Apoie o Greenpeace Brasil e faça a diferença!

6. Conta mais cara: comida, água e luz

A chuva intensa e a seca severa afetam a produção agrícola e pressionam o preço dos alimentos. No El Niño de 2015, por exemplo, gastos com comida subiram 12%. Seca prolongada também reduz a geração hidrelétrica e pode elevar as tarifas de energia. No Sudeste, há risco de insegurança hídrica semelhante ao cenário de São Paulo em 2015, com reservatórios em níveis baixos.

7. Seca severa e ondas de calor

O Brasil enfrentou a pior seca de sua história no último El Niño, que atingiu mais de 80% dos municípios do país em 2024. Para 2026 e 2027, especialistas alertam sobre a possibilidade de novos períodos de estiagem intensa e temperaturas acima da média. O calor extremo também tem se tornado cada vez mais frequente: há 60 anos, o Brasil registrava 7 dias de ondas de calor por ano; hoje, esse número chega a 52 dias. Mais de 48 mil brasileiros morreram em duas décadas em decorrência do calor extremo, principalmente idosos, mulheres, pessoas negras e de baixa escolaridade (Fiocruz, 2024).

8. Fim dos combustíveis fósseis

Reduzir o uso de petróleo, carvão e gás e frear novas explorações, como na Foz do Amazonas, ajudam a conter a intensificação da crise climática. A queima de combustíveis fósseis é a principal causa do aquecimento global e grande parte desse calor é absorvida pelos oceanos, agravando fenômenos climáticos como o El Niño. Ecossistemas marinhos, como os recifes de coral, ajudam a proteger o litoral — onde mora a maioria dos brasileiros — contra tempestades e erosões, mas o aumento de temperatura do oceano pode causar seu branqueamento, como ocorreu em 2024, gerando um impacto em cadeia: prejudica a renda de pequenos pescadores e a segurança alimentar da população, já que a pesca artesanal é responsável por mais de 60% dos pescados no país.

9. Agronegócio: vilão e vítima

A agricultura está entre os setores mais afetados pelos eventos climáticos extremos. Ao mesmo tempo, o avanço da agropecuária sobre os biomas brasileiros impulsiona o desmatamento, principal fonte de emissões do país, agravando os impactos do El Niño. Em vez de fortalecer ações de adaptação e mitigação, a bancada ruralista tem promovido medidas que enfraquecem a proteção ambiental, como mudanças no licenciamento ambiental e ameaças à Moratória da Soja.


10. Saiba o que fazer diante do El Niño



Em ano de eleição, devemos lembrar que o El Niño é natural, mas a gravidade de seus impactos não. 
União, estados e municípios têm responsabilidade de agir antes do pior acontecer, investindo em ciência, infraestrutura, defesa civil e proteção ambiental para reduzir danos e perdas humanas. Além de acompanhar alertas meteorológicos, cobre da prefeitura, da escola e dos órgãos públicos a existência de planos de adaptação climática e prevenção a desastres, principalmente para as famílias vulnerabilizadas.

🟥Lembre-se: seu voto vale e faz a diferença! 
Escolha candidaturas que se preocupam em salvar vidas e que têm propostas por moradias dignas e seguras, arborização e permeabilidade nas cidades, combate ao desmatamento e fiscalização contra crimes ambientais.




4 de agosto de 2026

Previsão do Serviço Nacional de Meteorologia da NOAA dos Estados Unidos sobre o EL NIÑO

O fenômeno El Niño está se formando e deve se intensificar, segundo meteorologistas da NOAA

Um período prolongado de temperaturas acima da média no Pacífico equatorial deverá atingir o pico neste inverno.



Imagens de satélite mostrando a diferença entre a temperatura média da superfície do mar no Equador, no Oceano Pacífico tropical (representada por vários tons de vermelho e laranja para indicar o calor), durante a primeira semana de junho de 2026, e a linha de base utilizada pelo programa Coral Reef Watch da NOAA. (Crédito da imagem: NOAA Satellites)


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Brasil não está preparado para enfrentar essa onda de eventos climáticos extremos, diz professor

Paulo Ataxo afirma nesse vídeo que são os Municípios os responsáveis na adaptação para o enfrentamento da Crise climática e os Eventos extremos que iremos enfrentar.

 

UOL


Paulo Artaxo, professor de Física Atmosférica e diretor do Centro de Estudos da Amazônia Sustentável da USP, alerta para a grave vulnerabilidade do Brasil diante da intensificação de eventos climáticos extremos e a carência de infraestrutura adequada
UOL News vai ao ar de segunda a sexta-feira em duas edições: às 10h e às 16h. 
Aos sábados, o UOL News é exibido às 11h e 16h, e aos domingos, às 14h. O programa é sempre ao vivo e traz as principais notícias do dia com entrevistas e análise de colunistas.

ONU alerta: El Niño ganha força e eleva risco de eventos extremos

 

Olhar Digital

O fenômeno climático El Niño deve continuar se intensificando nos próximos meses e atingir uma fase de alta intensidade entre agosto e outubro de 2026, segundo uma nova atualização divulgada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) especializada em clima e meteorologia. 

Olhar Digital

Bem-vindo ao Olhar Digital, o maior canal de tecnologia do Brasil! Aqui você encontra notícias, análises e reviews. Tudo o que você precisa saber sobre inteligência artificial, gadgets, inovação, exploração espacial, astronomia, big techs, descobertas arqueológicas, games e tudo o que envolve o universo digital e da Ciência.


22 de julho de 2026

Moradores são removidos após cheia do Rio Taquari no RS | LIVE CNN

 



O Rio Taquari em Lajeado, no Rio Grande do Sul, atingiu a cota de inundação com mais de 20 metros, na manhã desta quarta-feira (22). Em apenas uma hora, o rio acumulou 85 cm de água, mais da metade do esperado para o volume previsto para o mês de julho na região, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). #cnnbrasil


Brasil em Alerta: por que sua cidade pode ser pega de surpresa?

 



O Brasil está em alerta climático. 

Mas isso não significa que todo lugar terá o mesmo problema ao mesmo tempo. Nesta aula do Aula Pronta Digital, vamos entender por que a previsão sazonal é tão importante para interpretar o clima dos próximos meses no Brasil. O vídeo mostra como o El Niño pode influenciar o padrão de chuva e temperatura, mas também explica por que não devemos transformar uma tendência climática em previsão exata para cada cidade.
. A pergunta central da aula é: 
De que lado do mapa está a sua cidade? Em algumas regiões, o risco pode estar ligado ao excesso de chuva, instabilidade e eventos extremos. Em outras, o problema pode ser o calor acima da média, a chuva abaixo do normal, a vegetação mais seca, o risco de queimadas e os impactos na agropecuária. . A aula também explica uma ideia importante:
Calor acima da média + chuva de menos = vegetação ressecada.
. Isso afeta cidades, áreas rurais, pastagens, culturas agrícolas, abastecimento, saúde da população e planejamento da Defesa Civil. O objetivo não é causar medo, mas mostrar por que acompanhar fontes oficiais, entender mapas climáticos e agir com antecedência pode evitar prejuízos. 
Aula Pronta Digital — aulas completas para estudar, ensinar e revisar. Temas abordados:
  • Brasil em alerta;
  • El Niño 2026;
  • previsão sazonal;
  • calor acima da média;
  • chuva irregular;
  • risco de fogo;
  • vegetação ressecada;
  • agropecuária;
  • Defesa Civil;
  • mudanças climáticas;
  • Geografia e Meio Ambiente;
  • Atualidades.    
Antes de usar dados numéricos em aula ou publicação, confira as atualizações em fontes oficiais como INMET, CPTEC/INPE, Cemaden, Defesa Civil e boletins estaduais.


15 de julho de 2026

O GOVERNO TRUMP TIROU DO AR O SITE DO GOVERNO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS, MAS OS CIENTISTAS RECONSTRUÍRAM O SITE E O COLOCOU NO AR NOVAMENTE



Quando um site público sobre clima saiu do ar e centenas de cientistas federais perderam seus cargos, parecia que anos de pesquisas, relatórios e dados ambientais simplesmente desapareceriam da vista da população.
Mas um grupo de ex-funcionários da NOAA decidiu não aceitar esse apagão científico.
À frente da mobilização estava Rebecca Lindsey, ex-diretora do programa responsável pelo antigo climate.gov. Com ela, mais de 80 pesquisadores voluntários começaram uma espécie de reconstrução contra o tempo: recuperar, organizar e recolocar no ar informações climáticas que antes estavam disponíveis ao público.
O resultado foi o climate.us, uma plataforma independente criada para preservar esse acervo. Mais de mil relatórios e conjuntos de dados sobre clima foram recatalogados e restaurados, impedindo que décadas de conhecimento científico fossem enterradas por decisões políticas.
A iniciativa só avançou graças ao apoio popular. Cerca de 2.500 doadores contribuíram coletivamente com US$ 250 mil, valor que cobriu aproximadamente um terço do orçamento operacional do projeto.
Para especialistas em clima, o novo site vai além de um arquivo digital. Ele ajuda cidadãos comuns a entenderem como grandes mudanças climáticas globais se conectam diretamente com suas cidades, seus bairros e suas vidas.
No fim, o que nasceu de uma tentativa de silenciamento virou um símbolo de resistência científica: um refúgio permanente para dados públicos essenciais sobre o planeta em transformação.
Fonte: Bonasia, C. (2026). Fired Scientists Revive the Climate Website Trump Shut Down. The Energy Mix.

11 de julho de 2026

Super El Niño: Brasil se prepara para novo ciclo de eventos climáticos

  



A previsão de um El Niño mais intenso levou o governo federal a reforçar as ações de prevenção às queimadas
Estados e o Distrito Federal terão trinta dias para apresentar planos de enfrentamento ao fenômeno climático. 
Isso significa que as forças de segurança e as defesas civis intensificam o alerta e o monitoramento.


10 de julho de 2026

Risco climático já influencia investimentos, operações e lucros das empresas no Brasil

Entenda como o risco climático passa a influenciar cada vez mais o sistema financeiro brasileiro.

Jade Ramos

15/06/2026 às 09:41


Eventos meteorológicos extremos na América do Sul terão impactos significativos na economia brasileira e risco climático passa a ganhar cada vez mais relevância no Brasil.
Os eventos meteorológicos extremos na América do Sul já começam a provocar uma transformação silenciosa e profunda dentro da economia brasileira.
Em meio ao aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes históricas, ondas de calor e tempestades severas, o risco climático deixa de ser tratado apenas como um impacto ambiental, e sim continuidade operacional, exposição financeira, resiliência da cadeia e capacidade de antecipação.
Hoje, as variáveis meteorológicas como chuva, temperatura, umidade e ventos, já influenciam diretamente operações logísticas, planejamento energético, produtividade agrícola, estratégias financeiras e a precificação de ativos e seguros. Com a evolução dessas análises nos últimos anos, o clima passou a ser considerado um fator de risco econômico e muitas empresas precisam introduzir dentro dos seus custos operacionais, um planejamento para eventos meteorológicos extremos, afim de mapear possíveis perdas financeiras em seus ativos associados as condições meteorológicas.
Diante desse cenário, o risco climático está cada vez mais evidente, na medida em que ocorrem sistemas meteorológicos com potencial extremo sobre a América do Sul.
Logo, estamos diante da vulnerabilidade de setores altamente dependentes das condições meteorológicas.
Com isso, a chamada “inteligência climática” ganha espaço nas estratégias corporativas e reforça a importância da previsão do tempo não apenas como ferramenta de monitoramento, mas como instrumento de perfomance financeira.

Mais do que antecipar chuva ou calor, empresas agora precisam prever impactos financeiros, operacionais e estruturais de maneira cada vez mais tecnológica, antecipada e precisa.

Setores mais afetados do mercado brasileiro

Entre os setores mais impactados, o Agronegócio segue como um dos mais sensíveis, já que depende diretamente do comportamento de chuvas, temperatura, umidade do solo e da ocorrência de extremos meteorológicos, as consequências, podem ser inevitáveis e difícies de digerir no sistema financeiro:
  • Quebras de safra,
  • Alterações no calendário agrícola,
  • Variações de custo logísticos,
  • Produtividade,
  • Preços mais competitivos,
  • Custo de exportação.
O setor de energia também entra no centro dessa discussão. Períodos prolongados de seca afetam reservatórios e a geração hidrelétrica, enquanto ondas de calor elevam a demanda por eletricidade e pressionam o sistema. Em um país com forte dependência de fontes expostas ao clima, a meteorologia passa a ser variável estratégica para segurança energética e previsibilidade operacional. 

  • Nas hidrelétricas, o regime de chuvas é decisivo para o nível dos reservatórios e para a vazão dos rios, o que influencia a capacidade de geração e o planejamento da operação, especialmente em períodos de seca prolongada ou de chuvas irregulares.
  • Na geração eólica, a intensidade, a constância e a direção dos ventos determinam a produtividade dos parques, de modo que mudanças no comportamento atmosférico podem alterar a previsibilidade da entrega de energia.
  • Já a fonte solar é sensível à nebulosidade, à radiação disponível e também à temperatura: embora dias mais quentes possam sugerir maior geração, o excesso de calor pode reduzir a eficiência dos painéis.
  • Entre as fontes não renováveis, as termoelétricas sofrem com ondas de calor e escassez hídrica, que podem elevar a demanda justamente quando aumentam as restrições de resfriamento e de operação.
  • No caso das usinas nucleares, a temperatura da água usada no resfriamento e a disponibilidade hídrica também são fatores críticos, já que extremos térmicos ou hidrológicos podem exigir ajustes operacionais por razões de segurança e eficiência.

Em conjunto, essas variáveis mostram que o clima não interfere apenas no volume gerado de energia, mas na confiabilidade, no custo e na gestão estratégica de toda a matriz elétrica.
Na logística e na infraestrutura, a ocorrência de enchentes, tempestades e deslizamentos comprometem rodovias, portos, ferrovias e centros de distribuição, afetando prazos, custos e continuidade de operações. Enquanto no varejo e a indústria, por sua vez, sofrem os reflexos dessas rupturas ao longo da cadeia produtiva, seja na distribuição de mercadorias, no abastecimento de insumos ou no funcionamento das unidades.
O mercado segurador e o sistema financeiro também já sentem os efeitos de um cenário climático mais desafiador. O aumento da recorrência de eventos extremos pressiona a precificação de apólices, amplia a percepção de risco e exige modelos mais sofisticados para análise de exposição.
Para investidores e instituições financeiras, risco climático passa a influenciar concessão de crédito, avaliação de ativos, governança e decisões de alocação de capital.
Atualmente, a previsão do tempo já faz parte do planejamento operacional de diversos setores da economia. Porém, em um cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos, monitorar apenas as condições meteorológicas não será suficiente.
As empresas precisarão evoluir para uma gestão mais ampla do risco climático, capaz de identificar vulnerabilidades e antecipar impactos que podem resultar em perdas financeiras, danos a ativos, interrupções na cadeia de suprimentos, redução de produtividade e maior pressão por parte de investidores e seguradoras.
O clima passa, assim, a ocupar uma posição estratégica dentro das decisões de negócio.

Parte dessas decisões serão influenciadas pelas mudanças climáticas, conforme o artigo da Revista Internacional de Análise Financeira:
“As mudanças climáticas geram uma série de flutuações financeiras, desencadeiam riscos financeiros sistêmicos e colocam em risco a segurança e a estabilidade do setor financeiro. Cientistas já apontam há alguns anos, que o risco climático pode ser a causa de perdas globais de ativos financeiros de até US$ 24 trilhões.“
Gestão de riscos climáticos, como as empresas podem se beneficiar da sustentabilidade corporativa?

Nesse momento, o clima passa a ser visto de forma uníssona ao cenário econômico e caminhar lado a lado com a gestão de riscos e a sustentabilidade corporativa.
Se antes, o clima era visto de forma secundária em um modelo de negócio.
Atualmente, a condição climática pode ditar as regras de uma empresa, de toda uma operação e de estratégias comerciais.
Isso exige das empresas uma visão mais integrada entre prevenção, adaptação, compliance, resiliência e planejamento de longo prazo.
Mais do que responder a desastres quando eles acontecem, a agenda corporativa passa a demandar capacidade de antecipação. Isso envolve monitorar vulnerabilidades, mapear impactos sobre ativos críticos, criar planos de contingência, revisar cadeias de suprimento e incorporar variáveis climáticas à tomada de decisão com mais consistência.
A previsão do tempo entra nesse jogo, porque é no monitoramento meteorológico que podemos garantir segurança em uma estratégia comercial.
E a medida em que avançamos em tecnologias de previsão do tempo, excelência no monitoramento e precisão, estaremos mitigando os impactos dos eventos extremos no Brasil.
A mudança é relevante também do ponto de vista reputacional e regulatório. À medida que investidores, clientes, seguradoras e o próprio mercado passam a exigir maior transparência sobre exposição e gestão de risco climático, empresas que tratam o tema de forma estruturada tendem a sair na frente. Não apenas por reduzir perdas, mas por melhorar sua capacidade de adaptação, proteger operações e sustentar competitividade em um cenário mais volátil.
Nesse contexto, a inteligência climática se consolida como aliada da gestão mais moderna. Ao transformar dados meteorológicos em informação aplicada ao negócio, ela ajuda empresas a agir antes do impacto, reduzir incertezas e tomar decisões mais qualificadas.
Em um país cada vez mais exposto a eventos meteorológicos extremos, apenas realizar uma previsão do tempo, já não basta: será cada vez mais necessário entender o que a previsão do tempo significa para a operação, para o fluxo de caixa e para o futuro das empresas brasileiras.

E para continuar acompanhando mais atualizações sobre riscos climáticos no Brasil, consulte o site e os canais da Climatempo.



9 de julho de 2026

El Niño chegou! Quais os riscos para o Brasil?

 



Olhar Digital

No dia 11 de junho de 2026, a chegada do El Niño foi oficialmente confirmada por centros meteorológicos internacionais. O fenômeno, que ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial apresentam temperaturas acima da média, pode influenciar o regime de chuvas e as temperaturas em diversas partes do mundo – e o Brasil não está fora dessa. Pelo contrário: por aqui, os impactos podem ser avassaladores, cobrando um preço alto da nossa infraestrutura e, principalmente, colocando milhares de vidas e comunidades inteiras em risco. Por isso, o diagnóstico acendeu o sinal de alerta máximo em governos estaduais, defesas civis e no setor do agronegócio. Na semana passada, lançamos outro especial sobre o El Niño, que você pode conferir aqui:    • El Niño vai transformar o clima no Brasil;...   Hoje, vamos focar nos efeitos aqui no Brasil! Olhar Digital Bem-vindo ao Olhar Digital, o maior canal de tecnologia do Brasil! Aqui você encontra notícias, análises e reviews. Tudo o que você precisa saber sobre inteligência artificial, gadgets, inovação, exploração espacial, astronomia, big techs, descobertas arqueológicas, games e tudo o que envolve o universo digital e da Ciência.

Texto de autoria do canal "Olhar Digital"