"Os bons ideais aproximam as pessoas que olham o mundo não apenas para si, mas para todos"Rivaldo R. Ribeiro

RINDAT: Descargas Atmosféricas

Mostrando postagens com marcador TERRAS RARAS E MINERAIS CRÍTICOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TERRAS RARAS E MINERAIS CRÍTICOS. Mostrar todas as postagens

18 de outubro de 2026

Terras raras e minerais críticos. Galeano tinha razão?

Por Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP

O mundo mudou neste século 21, e graças à explosão da globalização os bens passaram a ser fabricados nos mais diversos países e continentes pela disseminação do conceito e do uso das cadeias de valores. A produção de bens hoje é complexa, e fabricar um único bem pode representar etapas intermediarias de fabricação e agregação de componentes em diversos países antes de chegar ao consumidor final.

Abastecer essas cadeias de valores passou a ser crucial, e em boa parte feito com semicondutores e circuitos integrados (chips), pois estes são os componentes que viabilizam a fabricação desde relógios, computadores, celulares até automóveis que não existem mais sem a chamada “eletrônica embarcada”. Os semicondutores e outros produtos eletrônicos também necessitam de matérias primas chamadas minerais críticos, aí incluídas as terras raras.

Logo após o final da epidemia de covid-19, o mundo sofreu, pela primeira vez, graves consequências decorrentes da falta de semicondutores: muitas fábricas em diversos setores pararam, e a falta de produção provocou uma escassez que resultou em desemprego e inflação, que levou anos para ser debelada.

Desta vez teme-se pelo mesmo, só que as razões são diferentes, e devem-se à disputa por minérios travada principalmente entre Estados Unidos e China. Descontente com as negociações com o presidente dos Estados Unidos, o governo chinês ameaçou interromper a exportação de terras raras. A ameaça dos chineses foi consequência de Trump ter proibido empresas americanas de venderem seus chips avançados para a China. Ou seja, o conflito geopolítico estabeleceu-se como decorrência do uso de peças, componentes ou produtos e como forma de um país pressionar o outro. A discussão foi apenas suspensa, mas o assunto ainda não está resolvido.

O fato é que terras raras e outros minérios são decisivos na geopolítica. As terras raras — que não são raras, mas que abundam em poucos países — entre eles a China e o Brasil — incluem cerca de 17 elementos, entre os quais destacam-se o escândio, o ítrio e o lantânio, usados na fabricação de telas de celulares, motores de carros elétricos, sistemas de defesa, turbinas eólicas, ímãs e outros produtos fundamentais para a economia mundial. A China é forte não apenas por possuir as terras raras, mas por deter competência na extração e refino das mesmas. Só ela responde por 80% da capacidade mundial nesse quesito.

O Brasil, apesar de possuir reservas enormes, infelizmente não possui domínio sobre essas etapas, e, portanto, depende da China. E o Brasil também é rico em reservas de outros minérios como lítio, níquel, cobalto e nióbio, que por sua vez são vitais para a produção de produtos chamados de alta tecnologia, mas, da mesma forma, no máximo conseguimos realizar a extração, não detendo a tecnologia para fazer nem o processamento e muito menos obter bens como baterias para celulares, carros elétricos ou computadores.

Infelizmente os países sul-americanos são donos da sina de apenas saberem exportar minério bruto para depois importarem os respectivos produtos finais, que é onde entra a agregação de valor. No caso da energia solar, a situação é lamentável se considerarmos que somos um país com alta exposição solar. No entanto não sabemos produzir nem os bens movidos por energia solar e nem os equipamentos fotovoltaicos que são usados para transformar a luz solar em energia, que precisam ser comprados da China.

Em 1973, Eduardo Galeano, um jornalista uruguaio, escreveu seu livro mais famoso, As veias abertas da América Latina. Ali ele descreve com muita competência como os países da nossa região não passam de simples fornecedores de matéria prima para os países mais desenvolvidos. Estes não pagam quase nada por elas, mas fazem o processamento das mesmas em seus países e assim fabricam os produtos sofisticados, que depois acabamos comprando, e, por sinal pagando muito.

Será que nada mudou em mais de meio século?

Fonte: https://jornal.usp.br/

________________
(As opiniões expressas nos artigos publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.)


24 de fevereiro de 2026

O que são terras raras e por que despertam o interesse do mundo? O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China.

 

TV Senado


O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. 
Essenciais para carros elétricos, turbinas e eletrônicos, esses elementos colocam o país em posição estratégica, mas ainda há desafios, como a exportação em estado bruto e a falta de uma cadeia de processamento nacional. 
No Senado, uma frente parlamentar foi criada para acompanhar o assunto. 
O TV Senado Live desta sexta (19), debate o cenário atual e as perspectivas de exploração desses elementos com Mariano Laio de Oliveira, chefe da Divisão de Minerais Críticos e Estratégicos da Agência Nacional de Mineração e o professor da USP,  Fernando Landgraf.

O que são as terras-raras?

 

PESQUISA FAPESP 



Brasil tem a segunda maior reserva do mundo dos minerais estratégicos fundamentais para a transição energética- Terras Raras.