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10 de julho de 2026

Risco climático já influencia investimentos, operações e lucros das empresas no Brasil

Entenda como o risco climático passa a influenciar cada vez mais o sistema financeiro brasileiro.

Jade Ramos

15/06/2026 às 09:41


Eventos meteorológicos extremos na América do Sul terão impactos significativos na economia brasileira e risco climático passa a ganhar cada vez mais relevância no Brasil.
Os eventos meteorológicos extremos na América do Sul já começam a provocar uma transformação silenciosa e profunda dentro da economia brasileira.
Em meio ao aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes históricas, ondas de calor e tempestades severas, o risco climático deixa de ser tratado apenas como um impacto ambiental, e sim continuidade operacional, exposição financeira, resiliência da cadeia e capacidade de antecipação.
Hoje, as variáveis meteorológicas como chuva, temperatura, umidade e ventos, já influenciam diretamente operações logísticas, planejamento energético, produtividade agrícola, estratégias financeiras e a precificação de ativos e seguros. Com a evolução dessas análises nos últimos anos, o clima passou a ser considerado um fator de risco econômico e muitas empresas precisam introduzir dentro dos seus custos operacionais, um planejamento para eventos meteorológicos extremos, afim de mapear possíveis perdas financeiras em seus ativos associados as condições meteorológicas.
Diante desse cenário, o risco climático está cada vez mais evidente, na medida em que ocorrem sistemas meteorológicos com potencial extremo sobre a América do Sul.
Logo, estamos diante da vulnerabilidade de setores altamente dependentes das condições meteorológicas.
Com isso, a chamada “inteligência climática” ganha espaço nas estratégias corporativas e reforça a importância da previsão do tempo não apenas como ferramenta de monitoramento, mas como instrumento de perfomance financeira.

Mais do que antecipar chuva ou calor, empresas agora precisam prever impactos financeiros, operacionais e estruturais de maneira cada vez mais tecnológica, antecipada e precisa.

Setores mais afetados do mercado brasileiro

Entre os setores mais impactados, o Agronegócio segue como um dos mais sensíveis, já que depende diretamente do comportamento de chuvas, temperatura, umidade do solo e da ocorrência de extremos meteorológicos, as consequências, podem ser inevitáveis e difícies de digerir no sistema financeiro:
  • Quebras de safra,
  • Alterações no calendário agrícola,
  • Variações de custo logísticos,
  • Produtividade,
  • Preços mais competitivos,
  • Custo de exportação.
O setor de energia também entra no centro dessa discussão. Períodos prolongados de seca afetam reservatórios e a geração hidrelétrica, enquanto ondas de calor elevam a demanda por eletricidade e pressionam o sistema. Em um país com forte dependência de fontes expostas ao clima, a meteorologia passa a ser variável estratégica para segurança energética e previsibilidade operacional. 

  • Nas hidrelétricas, o regime de chuvas é decisivo para o nível dos reservatórios e para a vazão dos rios, o que influencia a capacidade de geração e o planejamento da operação, especialmente em períodos de seca prolongada ou de chuvas irregulares.
  • Na geração eólica, a intensidade, a constância e a direção dos ventos determinam a produtividade dos parques, de modo que mudanças no comportamento atmosférico podem alterar a previsibilidade da entrega de energia.
  • Já a fonte solar é sensível à nebulosidade, à radiação disponível e também à temperatura: embora dias mais quentes possam sugerir maior geração, o excesso de calor pode reduzir a eficiência dos painéis.
  • Entre as fontes não renováveis, as termoelétricas sofrem com ondas de calor e escassez hídrica, que podem elevar a demanda justamente quando aumentam as restrições de resfriamento e de operação.
  • No caso das usinas nucleares, a temperatura da água usada no resfriamento e a disponibilidade hídrica também são fatores críticos, já que extremos térmicos ou hidrológicos podem exigir ajustes operacionais por razões de segurança e eficiência.

Em conjunto, essas variáveis mostram que o clima não interfere apenas no volume gerado de energia, mas na confiabilidade, no custo e na gestão estratégica de toda a matriz elétrica.
Na logística e na infraestrutura, a ocorrência de enchentes, tempestades e deslizamentos comprometem rodovias, portos, ferrovias e centros de distribuição, afetando prazos, custos e continuidade de operações. Enquanto no varejo e a indústria, por sua vez, sofrem os reflexos dessas rupturas ao longo da cadeia produtiva, seja na distribuição de mercadorias, no abastecimento de insumos ou no funcionamento das unidades.
O mercado segurador e o sistema financeiro também já sentem os efeitos de um cenário climático mais desafiador. O aumento da recorrência de eventos extremos pressiona a precificação de apólices, amplia a percepção de risco e exige modelos mais sofisticados para análise de exposição.
Para investidores e instituições financeiras, risco climático passa a influenciar concessão de crédito, avaliação de ativos, governança e decisões de alocação de capital.
Atualmente, a previsão do tempo já faz parte do planejamento operacional de diversos setores da economia. Porém, em um cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos, monitorar apenas as condições meteorológicas não será suficiente.
As empresas precisarão evoluir para uma gestão mais ampla do risco climático, capaz de identificar vulnerabilidades e antecipar impactos que podem resultar em perdas financeiras, danos a ativos, interrupções na cadeia de suprimentos, redução de produtividade e maior pressão por parte de investidores e seguradoras.
O clima passa, assim, a ocupar uma posição estratégica dentro das decisões de negócio.

Parte dessas decisões serão influenciadas pelas mudanças climáticas, conforme o artigo da Revista Internacional de Análise Financeira:
“As mudanças climáticas geram uma série de flutuações financeiras, desencadeiam riscos financeiros sistêmicos e colocam em risco a segurança e a estabilidade do setor financeiro. Cientistas já apontam há alguns anos, que o risco climático pode ser a causa de perdas globais de ativos financeiros de até US$ 24 trilhões.“
Gestão de riscos climáticos, como as empresas podem se beneficiar da sustentabilidade corporativa?

Nesse momento, o clima passa a ser visto de forma uníssona ao cenário econômico e caminhar lado a lado com a gestão de riscos e a sustentabilidade corporativa.
Se antes, o clima era visto de forma secundária em um modelo de negócio.
Atualmente, a condição climática pode ditar as regras de uma empresa, de toda uma operação e de estratégias comerciais.
Isso exige das empresas uma visão mais integrada entre prevenção, adaptação, compliance, resiliência e planejamento de longo prazo.
Mais do que responder a desastres quando eles acontecem, a agenda corporativa passa a demandar capacidade de antecipação. Isso envolve monitorar vulnerabilidades, mapear impactos sobre ativos críticos, criar planos de contingência, revisar cadeias de suprimento e incorporar variáveis climáticas à tomada de decisão com mais consistência.
A previsão do tempo entra nesse jogo, porque é no monitoramento meteorológico que podemos garantir segurança em uma estratégia comercial.
E a medida em que avançamos em tecnologias de previsão do tempo, excelência no monitoramento e precisão, estaremos mitigando os impactos dos eventos extremos no Brasil.
A mudança é relevante também do ponto de vista reputacional e regulatório. À medida que investidores, clientes, seguradoras e o próprio mercado passam a exigir maior transparência sobre exposição e gestão de risco climático, empresas que tratam o tema de forma estruturada tendem a sair na frente. Não apenas por reduzir perdas, mas por melhorar sua capacidade de adaptação, proteger operações e sustentar competitividade em um cenário mais volátil.
Nesse contexto, a inteligência climática se consolida como aliada da gestão mais moderna. Ao transformar dados meteorológicos em informação aplicada ao negócio, ela ajuda empresas a agir antes do impacto, reduzir incertezas e tomar decisões mais qualificadas.
Em um país cada vez mais exposto a eventos meteorológicos extremos, apenas realizar uma previsão do tempo, já não basta: será cada vez mais necessário entender o que a previsão do tempo significa para a operação, para o fluxo de caixa e para o futuro das empresas brasileiras.

E para continuar acompanhando mais atualizações sobre riscos climáticos no Brasil, consulte o site e os canais da Climatempo.



4 de julho de 2026

FENÔMENO NATURAL PREOCUPA CIENTISTAS NO MUNDO E PODE AFETAR O BRASIL

 

Instituto Conhecimento Liberta

No episódio programa de hoje, Gabriela Varella conversa com a pesquisadora Luciana Gatti sobre o El Niño, fenômeno natural que pode abalar o Brasil nos próximos meses.

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Ondas de calor na Europa são reflexo do aquecimento global, afirma Carlos Nobre

Pesquisador da USP explica que temperatura no norte do continente já subiu quase 4°C com o derretimento do gelo marinho e alerta que mundo pode atingir 1,5°C de aquecimento permanente até 2030

Por Redação TMC04/07/26 às 15h39

O climatologista Carlos Nobre, pesquisador sênior da Universidade de São Paulo, em entrevista para a TMC, afirmou que as ondas de calor extremas registradas na Europa nos últimos anos estão diretamente ligadas ao aquecimento global, fenômeno que atinge o mundo inteiro, mas de forma mais intensa no continente europeu. Segundo ele, o aquecimento bateu recordes em 2023, 2024 e 2025, e nos primeiros meses deste ano as temperaturas já chegaram a 45 graus em algumas regiões.
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Nobre lembrou que a ciência vem alertando há décadas que, quando a temperatura global chegasse a 1,5 grau, eventos extremos como ondas de calor, chuvas excessivas, secas, incêndios florestais, vendavais e ressacas nas costas passariam a acontecer com muito mais força, exatamente o que vem ocorrendo nos últimos anos, de acordo com o climatologista. 
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O pesquisador explicou que o norte da Europa, próximo ao Oceano Atlântico e ao mar de gelo, é uma das regiões que mais aqueceram no planeta. Isso porque o gelo reflete entre 50% e 70% da radiação solar, enquanto o mar, sem a cobertura de gelo, reflete apenas 6% a 7%. Com o derretimento, a temperatura na região já subiu quase 4 graus.
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Segundo Nobre, as ondas de calor recentes também têm relação com um sistema de alta pressão originado no norte da África, que cruza o Mediterrâneo e atinge boa parte da Europa, principalmente a Europa Ocidental. Esse sistema impede a formação de nuvens, o que faz o sol aquecer ainda mais a região. Em vários países europeus, a temperatura passou dos 40 graus, chegando a 47°C e 48°C em alguns pontos.

É preciso evitar um “Ecocídio

O climatologista defendeu que a discussão sobre o clima não deveria ser tratada como uma questão ideológica ou política. “Sem dúvida, a ciência já mostra com clareza que nós atingiremos 1,5 graus de aquecimento permanentemente até 2030”, afirmou. Segundo ele, é preciso agir imediatamente para evitar o que chamou de “ecocídio” — um suicídio ecológico.
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Carlos Nobre citou que as emissões de gases de efeito estufa bateram recorde em 2025 e continuam aumentando neste ano. Na COP 30, em Belém, o Brasil apresentou uma proposta para reduzir o desmatamento e acelerar o fim do uso de combustíveis fósseis, mas não houve consenso entre os países.
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Caso as emissões não sejam reduzidas de forma acelerada, o pesquisador afirmou que o mundo pode chegar a um aquecimento de 2 a 2,5 graus até 2050. Nesse cenário, o Brasil perderia a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal e a Caatinga, os recifes de coral seriam extintos, e o permafrost — solo congelado na Sibéria e no norte do Canadá — começaria a descongelar, liberando uma quantidade enorme de gases de efeito estufa hoje aprisionados no gelo. “Se isso acontecer, pronto, acabou”, disse Nobre, ao afirmar que, nesse cenário, o aquecimento pode chegar a 3 ou 4 graus, configurando o que ele chama de “ecocídio”.
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Questionado sobre o que pode ser feito para ajudar as pessoas que sofrem com o calor extremo, Nobre citou o exemplo de Barcelona, que após ondas de calor fortes em 2022 que mataram muitas pessoas, criou locais com piscinas, ambiente climatizado e atendimento médico. A cidade passou a mapear pessoas vulneráveis — idosos, doentes e bebês — para removê-las a esses locais sempre que há previsão de onda de calor.

O pesquisador também mencionou que, na França, onde pessoas morreram afogadas ao tentar se refrescar em rios durante o calor extremo, várias escolas retiraram áreas de estacionamento sem vegetação e reflorestaram os espaços, o que reduziu a temperatura local entre 4 e 6 graus durante as ondas de calor.

“O Brasil é um dos países que menos tem vegetação nas cidades. Nós temos uma enorme responsabilidade de fazer uma grande restauração florestal”, afirmou Nobre. 
Ele citou ainda o exemplo de Singapura, onde um grande número de residências instalou telhados verdes, com plantas sobre as construções, como forma de amenizar o calor.



Europa pode enfrentar novas ondas de calor? Meteorologista faz alerta

 Nações Unidas: Mudanças Climáticas

          


TMC News Br
Durante o #TMC360, Carlos Nobre alertou que a onda de calor extremo na Europa pode não ser um evento isolado. Segundo o meteorologista, os recordes de aquecimento global registrados nos últimos anos aumentam a frequência e a intensidade desses fenômenos climáticos.

🟠 Transamérica agora é TMC🟠 Quem escuta, sabe.
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15 de novembro de 2023

Número de dias com ondas de calor passou de 7 para 52 em 30 anos

Fonte: Inpe Anomalia WSDI (onda de calor) é um dos indicadores de extremos climáticos observados nos últimos 60 anos. 
No período referência, entre 1961 e 1990, o número de dias com ondas de calor (WSDI) era de sete e ampliou para 52 dias no período entre 2011 e 2020 

Dados fazem parte do estudo do Inpe que analisou dados climáticos dos últimos 60 anos, a pedido do MCTI

Como o clima está mudando no Brasil? 
Para responder a essa pergunta, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) avaliaram os dados sobre as mudanças do clima observadas no Brasil nos últimos 60 anos. 
O estudo permite reconhecer as tendências nas séries de precipitação, temperatura máxima e mais três índices derivados que são considerados extremos climáticos: dias consecutivos secos (CDD), precipitação máxima em 5 dias (RX5day) e ondas de calor (WSDI).

O estudo foi realizado a pedido do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para subsidiar as discussões para a atualização do Plano Clima - Adaptação. 
De acordo com os especialistas, conhecer as mudanças climáticas é fundamental para caracterizar a ameaça e, por consequência, analisar os possíveis impactos, vulnerabilidades e adaptação. 
Os dados corroboram com o exercício executado para a Quarta Comunicação Nacional do Brasil à Convenção do Clima.

Os cálculos foram efetuados para todo o território brasileiro e consideraram o período de 1961 a 2020.
Os especialistas estabeleceram 1961 a 1990 como período de referência, e efetuaram análises segmentadas sobre o que aconteceu com o clima para três períodos: 1991-2000, 2001-2010 e 2011-2020.

Entre 1991 e 2000, as anomalias positivas de temperatura máxima não passavam de cerca de 1,5°C. 
Porém, atingiram 3°C em alguns locais para o período de 2011 a 2020, especialmente na região Nordeste e proximidades. 
No período de referência, a média de temperatura máxima no Nordeste era de 30,7°C e sobe, gradualmente, para 
31,2°C em 1991-2000, 
31,6°C em 2001-2010 e 
32,2°C em 2011-2020.

As anomalias de precipitação acumulada também são observadas nos três períodos avaliados, contudo destacam-se duas regiões contrastantes entre 2011 e 2020. 
Enquanto houve queda na taxa média de precipitação, com variações entre –10% e –40% do Nordeste até o Sudeste e na região central do Brasil, foi observado aumento entre 10% e 30% na área que abrange os estados da região Sul e parte dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Extremos climáticos

O aumento e a redução nos índices de precipitação repercutem na ocorrência de extremos climáticos que são estabelecidos por dois indicadores: dias consecutivos secos (CDD) e pela precipitação máxima em 5 dias (RX5day).

No período de referência, entre 1961 e 1990, os valores de CDD eram, em média, de 80 a 85 dias. 
O número subiu para cerca de 100 dias para o período de 2011 a 2020 nas áreas que abrangem o norte do Nordeste e o centro do país.

Os mapas demonstram que a região Sul vem sendo a mais afetada pelas chuvas extremas ao longo das últimas décadas. 
No período de referência, a precipitação máxima em cinco dias era de cerca de 140 mm. O número subiu para uma média de 160mm.

Ondas de calor (WSDI)

Os dados indicam que houve aumento gradual das anomalias de ondas de calor ao longo dos períodos analisados e para praticamente todo o Brasil. 
Exclui-se a região Sul, a metade sul do estado de São Paulo e o sul do Mato Grosso do Sul. 
No período de referência, o número de dias com ondas de calor não ultrapassava sete. 
Para o período de 1991 a 2000 subiu para 20 dias;  entre 2001 e 2010 atingiu 40 dias; e de 2011 a 2020, o número de dias com ondas de calor chegou a 52 dias.

“Essas informações são a fonte que podemos reportar como fidedignas daquilo que está sendo sentido no dia a dia da sociedade. Estamos deixando de perceber para conhecer. Esse é um diferencial de termos essa fonte de dados robusta”, afirmou o diretor do Departamento para o Clima e Sustentabilidade do MCTI, Osvaldo Moraes. “São dados relevantes para fazer a ciência climática dar suporte à tomada de decisão. Estamos deixando a percepção de lado para aprofundar o conhecimento”, complementou.

Para o estudo, foram considerados dados observacionais de 1.252 estações meteorológicas convencionais, sendo 642 estações manuais e 610 automáticas para construir as séries de temperatura máxima, e um total de 11.473 pluviômetros para os dados de precipitação.

A partir dessas informações críticas foram analisados três extremos climáticos. O número de dias consecutivos secos (CDD) foi calculado estimando-se o número de dias seguidos com precipitação inferior a 1mm. O RX5day registra a maior quantidade de precipitação em 5 dias. O WSDI representa a soma de dias de ondas de calor no ano. 
Caracteriza-se como onda de calor o mínimo 6 dias consecutivos em que a temperatura máxima superou um limiar de ao menos 10% do que é considerado extremo, comparado ao período de referência.

Os pesquisadores destacam a importância de observar o conjunto das informações e não apenas indicadores isolados. De acordo com os dados, o clima já está mudando e afeta o país de múltiplas formas, dado que o Brasil tem dimensões continentais. Enquanto em algumas regiões há aumento de temperatura, em outras observa-se aumento da precipitação ou ocorrência de seca.

“O mais recente relatório do IPCC destacou que as mudanças climáticas estão impactando diversas regiões do mundo de maneiras distintas. Nossas análises revelam claramente que o Brasil já experimenta essas transformações, evidenciadas pelo aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos em várias regiões desde 1961 e irão se agravar nas próximas décadas proporcionalmente ao aquecimento global”, ressaltou o pesquisador do Inpe Lincoln Alves, que coordenou os estudos.

Categoria
Meio Ambiente e Clima