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9 de janeiro de 2026

Venezuela, o petrodólar e a verdadeira guerra que nunca foi sobre democracia

O confronto com a Venezuela expõe como a hegemonia do dólar e o controle sobre o petróleo seguem no centro da política externa dos Estados Unidos

Há narrativas que se repetem com tanta frequência que acabam sendo naturalizadas. Sempre que os Estados Unidos decidem intervir em outro país, o roteiro é conhecido: combate ao narcotráfico, defesa da democracia, luta contra o terrorismo ou enfrentamento de um “regime autoritário”. A retórica é polida, moralizante e cuidadosamente embalada para consumo global. Mas, quando se observa a história com um mínimo de atenção, percebe-se que o enredo real costuma ser outro — muito mais cru, material e estratégico. No caso da Venezuela, ele atende por um nome pouco mencionado nos discursos oficiais: petrodólar. Uma publicação em um perfil no X, sediado na Alemanha, chamou a atenção para isso.
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A tese de que a ofensiva contra a Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro não têm como objetivo central a democracia ou o combate à corrupção ganha força quando inserida em um contexto histórico mais amplo. Como claramente explicado no livro de memórias de Henry Kissinger, Years of Renewal, em 1974, no auge da crise do petróleo, o ex-presidente norte-americano costurou um acordo silencioso, porém decisivo, com a Arábia Saudita: todo o petróleo comercializado internacionalmente seria cotado em dólares americanos. Em troca, os Estados Unidos garantiriam proteção militar ao reino saudita. Esse pacto criou uma demanda artificial e permanente pela moeda americana, transformando o dólar no eixo do sistema financeiro global.
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Desde então, qualquer país que quisesse comprar petróleo precisava, antes, obter dólares. Isso permitiu aos EUA financiar déficits colossais, sustentar um orçamento militar gigantesco e imprimir moeda em escala inédita, enquanto o resto do mundo precisava produzir para obter aquilo que Washington podia criar do nada. O petrodólar, mais do que porta-aviões ou bases militares, tornou-se o verdadeiro pilar da hegemonia americana.

É justamente aí que a Venezuela entra em cena. O país possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta — cerca de 303 bilhões de barris, algo em torno de 20% de todo o petróleo mundial. Mais importante do que o volume, porém, foi a decisão política tomada a partir de 2018: Caracas anunciou que deixaria de negociar seu petróleo em dólares. Yuan chinês, euro, rublo — qualquer moeda, menos a americana. Paralelamente, buscou ingressar no BRICS, construiu canais de pagamento fora do sistema SWIFT e estreitou laços com China, Rússia e Irã, os principais vetores do processo global de desdolarização.

Para um sistema financeiro dependente do petrodólar, esse movimento é existencialmente ameaçador. Não por acaso, a história recente revela um padrão perturbador. Em 2000, Saddam Hussein anunciou que o Iraque venderia petróleo em euros. Três anos depois, o país foi invadido sob o pretexto de armas de destruição em massa que nunca existiram. O petróleo iraquiano voltou rapidamente a ser cotado em dólares. Em 2009, Muammar Gaddafi propôs o dinar de ouro africano para o comércio de petróleo. Em 2011, a OTAN destruiu a Líbia, e o líder líbio foi brutalmente assassinado. O projeto morreu com ele.
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Agora, Maduro. Com reservas muito maiores do que as de Saddam e Gaddafi somadas, vendendo petróleo em yuan e defendendo abertamente a superação do dólar. Não se trata de coincidência, mas de método. Desafiar o petrodólar tem sido, historicamente, um atalho para a mudança forçada de regime.

Declarações recentes de autoridades americanas tornam isso ainda mais explícito. Quando se afirma que o petróleo venezuelano “pertence” aos Estados Unidos porque empresas americanas o exploraram no passado, o discurso abandona qualquer verniz democrático e assume a lógica colonial e imperialista em estado puro. Pela mesma lógica, toda nacionalização de recursos naturais ao longo da história seria um “roubo”, e a soberania dos povos não passaria de um detalhe inconveniente.

O problema para Washington é que o mundo de 1974 já não existe. Rússia, Irã e China negociam energia fora do dólar. A Arábia Saudita discute abertamente aceitar yuan. O CIPS chinês cresce como alternativa ao SWIFT, e o BRICS avança na construção de sistemas próprios de liquidação financeira. Nesse contexto, a entrada da Venezuela no bloco, com seu petróleo abundante, teria um efeito catalisador.

A tentativa de impor pela força a sobrevivência do petrodólar pode, paradoxalmente, acelerar sua erosão. A mensagem enviada ao Sul Global é clara: negociar fora do dólar tem custo militar. Mas, para muitos países, essa constatação apenas reforça a urgência de criar alternativas. A história mostra que impérios raramente caem por um único golpe; eles se desgastam tentando manter, à força, uma ordem que já começou a ruir.

A Venezuela, portanto, não é o centro do mundo, mas um espelho. O que está em jogo não é Maduro, nem a retórica moral que o cerca. É a disputa entre um sistema financeiro construído há 50 anos e um mundo que começa, lentamente, a escapar de seu controle.


De Oliveiros Marques
Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas


* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

7 de janeiro de 2026

"NÃO É O PETRÓLEO, ESTÚPIDO" 6 de janeiro de 2026

 




Míriam Leitão acerta metade em seu artigo.

1) Petróleo há de monte nos Estados Unidos e no mundo. Preço do barril cai. 
2) Geopolítica e imperialismo são conceitos que não explicam nada, todos estamos no Império, um mundo regido pelo capital financeiro e pela infosfera
3) As políticas de estado contra estado não são mais o que movem o mundo, e mesmo as corporações estão sob o domínio dos mercados financeiros. O século XX finalmente acabou! 
4) o que sobrou é a burguesa sem burgo, que não comanda, é comandada pelo dinheiro, e perdeu seu contado com a terra, com a nação, deixando os estados dominados por medíocres, e estes fazem as coisas a partir de interesses pequenos, de umbigo. Netanyahu fez guerra para se livrar da prisão, Trump faz sequestro para ficar bem com seu eleitorado, que acredita que ele está combatendo o narcotráfico. Acredita? Talvez não mais. Então, ele vai ter que triplicar a mentira.


Uruguai BLOQUEIA Manobras dos EUA! A Decisão que Ninguém Esperava | John Mearsheimer

 


O Uruguai rejeita um acordo militar com os Estados Unidos e abala o equilíbrio geopolítico na América Latina. Uma análise profunda baseada nas teorias de John Mearsheimer sobre hegemonia, BRICS e o surgimento do mundo multipolar.



Como a Colômbia enfrentou os EUA e mudou o jogo geopolítico na América Latina

 



Este vídeo traz uma análise detalhada de um dos episódios mais importantes da geopolítica recente na América Latina. A resposta da Colômbia à pressão econômica dos Estados Unidos não foi simbólica — foi estrutural. Infraestrutura, logística, energia e comércio passaram a ser usados como instrumentos de soberania.

Aqui explicamos por que essa estratégia não envolve guerra militar, mas sim uma reorganização profunda das cadeias de suprimento e das alianças globais. O que parecia um bloqueio tornou-se um catalisador para a mudança. O impacto não se limita à Colômbia: Brasil, Panamá, México e todo o continente sentem os efeitos dessa nova lógica multipolar.
Se você quer entender porque o medo deixou de ser a principal arma do poder e como a América Latina está aprendendo a negociar em novos termos, este vídeo é essencial.

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