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10 de dezembro de 2010

O Planeta Agoniza-João Fidélis de Campos Filho*

Países ricos e pobres reunidos em Cancun (México) na décima sexta Conferência da ONU sobre o clima (COP16) colocam sobre a mesa suas divergências numa disputa renhida onde cada centímetro do cabo de guerra puxado pelos oponentes vale milhões de dólares ou muito prestígio político. Em um mundo cada vez mais atento e preocupado com os efeitos nocivos da poluição, o desmatamento e a emissão de gases industriais que têm aumentado a temperatura do planeta, as pressões fluem de todos os setores representativos da sociedade mundial para que se chegue a acordo que amplie as responsabilidades de cada nação. O Greenpeace realizou um criativo protesto esta semana colocando maquetes dos principais símbolos de importantes nações, como a Estátua da Liberdade, a Torre Eiffel, as Pirâmides do Egito, o Cristo Redentor, no mar e deixando-as afundar para demonstrar a indignação com o posicionamento dos governos em relação a um acordo que beneficie o planeta em Cancun.

Como foi dito no início os países ricos permanecem irremovíveis em aderir integralmente ao Protocolo de Kyoto, em especial EUA e China (os vilões da emissão de poluentes) que até agora não assinaram o Protocolo e se negam a fazer a sua parte. Para piorar o Japão, Canadá e Rússia ameaçam a abandonar o acordo, que expira em 2012, se os países emergentes, principalmente China e Índia, não se comprometerem a fazer a parte deles, reduzindo também a emissão. Pelo que se vê nesta queda de braço mesmo as conquistas adquiridas até o momento podem ir por água abaixo.

Por outro lado os países pobres e os emergentes, incluindo aí o Brasil, lutam pela aprovação de um fundo internacional para os ajudarem a se adaptar às novas mudanças climáticas e também os prejuízos com a sua parte no acordo. Estes países culpam as nações desenvolvidas pelo atual estado de deterioração do meio ambiente e cobram deles a doação para o fundo. Este quebra-cabeça tem um apimentado ingrediente neste ano que é a atual crise econômica, cujos efeitos recessivos e alto nível de desemprego na Europa e EUA, levanta reações nacionalistas e provoca desinteresse destas nações em mudanças que afetem ainda mais este quadro.

As pressões de ambientalistas continuam, principalmente agora que os efeitos do aquecimento global têm provocado tantos estragos em todo planeta, com inundações, incêndios, aumento da desertificação, etc. e ocasionando mortes e uma série de catástrofes e mortes. È importante lembrar que os adiamentos de medidas essenciais para a melhoria das condições climáticas podem agravar e acelerar os problemas ambientais do mundo todo, pois sabe-se que apesar das diferenças de raça, cultura, poder econômico e bélico, a população mundial faz parte de um único ecossistema gigantesco e constitui uma aldeia global.

Teme-se que as divergências entre ricos e pobres na COP 16 em Cancun repitam o que aconteceu em Copenhague no ano passado onde os debates não resultaram num compromisso efetivo de redução dos gases estufa. De qualquer fica claro que as medidas não podem ser colocadas em baixo do tapete, pois as conseqüências podem ser drásticas.

João Fidélis de Campos-Cirurgião-Dentista-Votuporanga-SP
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