"Os bons ideais aproximam as pessoas que olham o mundo não apenas para si, mas para todos"Rivaldo R. Ribeiro

23 de fevereiro de 2013

SONHO LETÁRGICO

*João Fidélis de Campos Filho

Ameaça nuclear da Coréia do Norte, renúncia do papa Bento XVI, inflação acelerada, mortes do carnaval, escândalos na Espanha, etc. e etc. Estar antenado com o que acontece no mundo exige um esforço de concentração contínua, pois o aparecimento e o desaparecimento do que é notícia segue o ritmo da instantaneidade da vida moderna. O fenômeno da superinformação e seus efeitos deletérios no homem contemporâneo vêm se tornando um desafio para os neurocientistas e estudiosos principalmente pelo fato de estar associado ao stress e à gênese de inúmeras doenças que acometem o ser humano.

A memória passou a ser objeto de atenção de muita gente porque a velocidade dos acontecimentos obriga a raciocínios rápidos ou a uma resposta instintiva imediata. A mente desde então começou a se ocupar do superficial já que não há tempo para o aprofundamento e análise de tudo que ocorre. Neste sentido valoriza-se, sobretudo o entretenimento. Concomitantemente usa-se e abusa-se dos estímulos eróticos porque o consumo transformou-se no “deus” de nossa era e o apelo sexual tornou-se uma poderosa arma para este fim. Estar inserido socialmente significa acumular mais e mais coisas, na maior parte das vezes coisas supérfluas e descartáveis. As escolhas se resumem, neste contexto, em ter isto ou aquilo.

E onde poderia refugiar-se o homem atual para afastar o perigo de uma vida automatizada, padronizada e alienante? A resposta está na arte. A produção artística mundial cresceu quase no mesmo ritmo que a indústria de entretenimento e do consumo fácil. Há hoje uma oferta maior de arte de bom gosto, bastando para isso se interessar por obtê-la. E como a riqueza artística do mundo globalizado pode chegar a um maior número de pessoas? Isso só através da divulgação, da orientação e do despertar nas pessoas o interesse pelo singular, pelo ideal e pelo que é bem feito. Muita gente nunca assistiu a um bom espetáculo teatral nunca visitou uma galeria de arte ou se interessou em ver filmes clássicos. Ao povo basta unicamente o entretenimento, o futebol, o Programa do Faustão ou o Datena. Muitos não querem aprender, ou vivenciar experiências de amadurecimento e discernimento. Preferem se divertir como se a vida fosse um conto da Cinderela e como se os aspectos sensoriais e fisiológicos fossem a única razão da existência.

Existem prazeres inenarráveis, emoções que nascem no âmago de cada um ao estar em sintonia com a arte genuína, a arte que subtrai as pessoas de sua zona de conforto que as forçam pensar e enxergar a vida com outras nuances. Esta experiência pode estar acessível, pode alcançar e mudar o modo de pensar de um grande número de pessoas, basta para tal que elas sejam despertadas deste estado narcotizante do existir contemporâneo, no qual os verdadeiros valores são ocultados por este capitalismo massificante de nosso tempo. É hora de acordar deste sonho letárgico, é hora de ousar e inventar o novo através do caminho da arte. Não existe outro caminho para o processo de libertação e desalienação de nosso povo.

*João Fidélis de Campos Filho- Cirurgião-Dentista

jofideli@gmail.com

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