Biodiversidade, Desiquilíbrio Climático, Sustentabilidade, Desmatamento, Poluição, Fauna e Flora e a Importância da Água na Manutenção da Vida e Ciência.
23 de dezembro de 2022
Top cinco benefícios da arborização urbana para qualidade de vida das pessoas
22 de dezembro de 2022
CHICO MENDES NUNCA SERÁ ESQUECIDO- Foi assassinado em 22 de dezembro de 1988
Chico Mendes foi morto em Xapuri, 22 de dezembro de 1988, há 34 anos. Recebeu diversas ameaças de fazendeiros. Não conseguiu proteção do governo. Foi assassinado uma semana após completar 44 anos, com tiros de escopeta no peito na porta de sua casa.
Chico desafiava as concepções “desenvolvimentistas” e seus esquemas violentos que qualificam a cultura nativa como atrasada. Via possibilidades para outros mundos, pois já sabia que o egoísmo do capital seguia uma lógica antiecológica: a floresta aparecia como mero recurso a ser explorado pelos fins da economia, não pelos caminhos e pelos sentidos da vida.
Defendia a união dos povos da floresta e um movimento com raízes ecológicas de resistência-rexistência. Teve habilidade para reunir interesses dos povos indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeiras de coco e populações ribeirinhas. Lutavam pela proteção de territórios com identidades culturais, imaginários e práticas.
"Quando Chico Mendes, seringueiros e indígenas começaram a se articular, perceberam que o que almejavam não se confundia com cidadania – seria um novo campo de reivindicação de direitos (...). Assim como Gandhi e seus seguidores, organizaram uma resistência pacífica à atuação do Estado. Mulheres crianças, homens, pessoas de todas as idades se postaram entre as árvores e as motosserras, cercando caminhos de quem chegava para fazer demarcações e impedindo que o dedo urbano – fosse ele de geógrafos, topógrafos ou sismógrafos – apontasse finais dentro da floresta. Não queriam estacas nem lotes, queria a fluidez do rio, o contínuo da mata. (...) Houve ali um contágio positivo do pensamento, da cultura, uma reflexão sobre o comum. A Aliança dos Povos da Floresta nasceu da busca por igualdade nessa experiência política", explica Krenak no livro Futuro Ancestral.
A visão singular de Chico Mendes ajudou a criar os modelos de reservas extrativistas (Resex) hoje no país. Como liderança e ambientalista, recebeu o prêmio Global 500 da ONU, a medalha de Meio Ambiente da Better World Society.
Saiba mais:
Documentário "Eu quero viver":
FONTE: Árvore, Ser Tecnológico
CHICO NUNCA MORRE
20 de dezembro de 2022
5 de dezembro de 2022
OBRAS DE REVITALIZAÇÃO DA PRAÇA SEBASTIÃO PEREIRA LIMA ( Jardim Novo)- FOTOS 30/11/2022
Praças "embelezadas" com construções em alvenaria, calçamento acima do padrão, arborização inadequada predominando árvores de pequeno porte e arbustos ornamentais. Na nossa opinião esse é um modelo de "paisagismo" que não deva ser usado com o objetivo ecológico, pois será praticamente nulo os seus benefícios naturais a fauna, flora, a população humana e a sua principal função: Cooperação com o Equilíbrio Climático.
Não há dúvida, são praças que ficarão bonitas, mas sem nenhuma cooperação para diminuir o calor e oferecer um local aprazível para um passeio durante o dia.
Pesquise ARBORIZAÇÃO DE CIDADES
FOTOS 30/11/2022- RUA 07 DE JULHO>
Clique para ampliar:
29 de novembro de 2022
Radar Greenpeace nas Eleições: 6 propostas para um Brasil mais verde e justo
Maioria dos deputados mais antiambientais da Câmara se reelegeram. Lamentável a visão do ELEITOR- votar naqueles que lhes fazem mal: Secas, Enchentes, Destruição das florestas, alterações nos ciclo das chuvas. fome
Quase dois meses após o 1º turno das eleições, no último dia 2 de outubro, que renovou os mandatos na Câmara dos Deputados, fica a pergunta: como se saíram os deputados federais mais antiambientais da atual legislatura (2019-2022)? Análise exclusiva de ((o))eco através dos dados do Monitor do Congresso revela um alto índice de reeleição entre os 145 deputados que votaram a favor dos cinco projetos antiambientais acompanhados pela ferramenta.
((o))eco utilizou os dados do Monitor do Congresso para, primeiramente, saber quem são esses deputados que votaram a favor dos cinco projetos de lei antiambientais: o PL 6.299/02, o “PL do Agrotóxico”; o PL 3.729/04, que flexibiliza o licenciamento ambiental; o PL 2.633/20 (apensado ao PL 510/21), mais conhecido como o “PL da Grilagem”; o PL 2.510/19, que municipaliza Áreas de Proteção Permanente (APPs) urbanas; e o pedido de urgência no PL 191/20, que autoriza a mineração e a construção de hidrelétricas em terras indígenas.
Foram excluídos os parlamentares que votaram contra algum dos projetos ou faltaram à sessão, se abstiveram ou não tinham mandato (caso de suplentes, por exemplo) no momento de alguma dessas votações. Uma reportagem anterior de ((o))eco já revelava que a média de deputados que votaram a favor desses projetos individualmente chega a quase 300. Para esta análise, entretanto, foram considerados somente os que foram favoráveis a todos os cinco PLs, que representam um total de 145 deputados federais.
Na região de São José do Rio Preto está FAUSTO PINATO.
Vejam a lista dos Deputados e mais sobre o tema no link:
25 de novembro de 2022
OBRAS DE REVITALIZAÇÃO DA PRAÇA SEBASTIÃO PEREIRA LIMA ( Jardim Novo)- FOTOS 18/11/2022
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Veja mais informações sobre a Praça Jardim Novo clicando AQUI ou nos links no rodapé dessa publicação.
20 de novembro de 2022
A catastrofização, a securitização ambiental e o emprego das Forças Armadas na Amazônia brasileira
CATASTROFIZAÇÃO e SECURITIZAÇÃO
Em 22 de agosto de 2019, a questão ambiental e a Amazônia Brasileira entraram nos noticiários internacionais e nacionais quando o atual presidente da França declarou, por meio de rede social, que as queimadas na Floresta Amazônica constituem um problema de caráter internacional. A questão ganhou absoluta relevância em discussões no âmbito da 45ª reunião de cúpula do G7, realizada em 2019 e sem a presença do Brasil.
Em 2022, reforçando a teoria da “catastrofização” e robustecendo o discurso do mandatário francês, o Ministro do Comércio Exterior da França, Franck Riester, afirma aos senadores de seu país que “A Floresta Amazônica não pertence apenas aos brasileiros, mas à humanidade…”.
A teoria da catastrofização é, em suma, um processo em que forças políticas e sociais afirmam trabalharem juntos fatores naturais e artificiais para se criar efeitos devastadores em grande parte da população, garantindo o emprego de ações drásticas para evitar tal catástrofe.
Em contrapartida, quando alguma questão representa uma ameaça ao Estado, ao governo, ao território e à sociedade, são usadas medidas extraordinárias para resolver o tema. Essa teoria legitima o uso de ações de força para crises que não estão necessariamente ligadas à segurança e à defesa, a chamada “securitização”.
Assim, o governo brasileiro, na busca por realizar ações mais efetivas e de dar uma resposta clara à opinião pública internacional, determinou o emprego das Forças Armadas em Ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) nos anos de 2019 (Operação Verde Brasil 1), 2020 (Operação Verde Brasil 2) e 2021 (Operação Samaúma).
Como uma evolução das Operações Verde Brasil, foi concebida a Operação Samaúma, pela primeira vez sob a coordenação do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL), cuja liderança foi exercida pelo Vice-Presidente da República, apoiado por sua estrutura, para coordenar as ações do Ministério da Defesa, das Forças Armadas, das agências do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Ministério do Meio Ambiente. A Operação Samaúma foi oficializada pelo Decreto nº 10.730, de 28 de junho de 2021, para o período de 28 junho a 31 de agosto de 2021, autorizando o emprego das Forças Armadas com o objetivo de realizar ações preventivas e repressivas contra delitos ambientais, em especial o desmatamento ilegal em municípios dos estados do Amazonas, do Mato Grosso, do Pará e de Rondônia.
O balanço final da Operação Samaúma soma 705 escoltas, reconhecimentos e patrulhas; 17.005 hectares embargados; 191 ações preventivas e repressivas realizadas contra delitos ambientais; 309 inspeções, vistorias e revistas por meio de patrulhamento naval e terrestre; e 8 focos de incêndio combatidos, dentre outras ações. As principais apreensões foram de 8.536,56 metros cúbicos de madeira; 34.396 litros de combustíveis; 50 tratores, escavadeiras, caminhões, veículos diversos e embarcações; 28 armas; e 137 maquinários de serraria e mineração. Durante toda a ação, foram aplicadas 189 multas que totalizaram mais de R$ 270 milhões. Houve uma redução de 32% no índice de desmatamento histórico para o mês de agosto.
A AMAZÔNIA E A SOBERANIA BRASILEIRA
O General Meira Mattos, geopolítico de referência no Exército Brasileiro com reconhecimento internacional, constatou, em 1980, a ganância por parte de nações estrangeiras ou organizações internacionais pela Amazônia, e identificou, ainda, a escassez de população e a existência de riqueza mineral inexplorada como os maiores problemas geopolíticos brasileiros na Amazônia.
O General Villas Bôas, antigo Comandante do Exército Brasileiro, escreveu um artigo que aborda um mundo, no ano de 2030, em que a população terá aumentado em dois bilhões de habitantes, passando a consumir o dobro de recursos naturais.
Essa insondável origem da natureza tem que ser claramente associada com a soberania brasileira na imaginação da opinião pública internacional, ávida por questionar a nossa capacidade de gerir o que já é considerado como um patrimônio mundial.
Um dado marcante é que os recursos naturais da região podem chegar à impressionante cifra de 23 trilhões de dólares: 15 decorrentes dos recursos minerais e 8 proporcionados pela biodiversidade.
Cenários prospectivos mostram que o futuro do país passa pela manutenção da soberania da Amazônia Brasileira, por sua integração plena ao país e pelo seu desenvolvimento sustentável. Dessa forma, fica claro existirem análises científicas de cenários que visualizam, em um provável futuro, o emprego das Forças Armadas em ações de repressão a crimes ambientais que possuem relação com a soberania do Brasil na Amazônia.
PRESENTE E FUTURO
A semente da Operação Samaúma vem germinando. Observa-se a iniciativa do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e com o apoio logístico e meios especializados do Ministério da Defesa, de desencadear a Operação GUARDIÕES DO BIOMA, ação de combate às queimadas, iniciada em agosto de 2021. Este ano, desde março de 2022, a operação vem realizando ações com foco no combate ao desmatamento ilegal nos estados do Amazonas, do Pará, do Mato Grosso e de Rondônia.
Por fim, o emprego das Forças Armadas em Operações de Garantia da Lei e da Ordem e em ações subsidiárias será sempre uma escolha do poder público de acordo com o interesse do Estado Brasileiro. O que é importante ressaltar é que as Forças Armadas não se furtarão a dar o suporte à Nação, dentro dos certames legais, podendo empregar suas capacidades militares e estendendo seu Braço Forte e sua Mão Amiga, conforme o slogan do Exército Brasileiro.
O Coronel Rodrigo Oliveira Genial é oficial de Infantaria da Turma de 1997 da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Foi instrutor do Curso Básico da AMAN e do Centro de Instrução de Guerra na Selva.
Possui os cursos regulares de aperfeiçoamento e altos estudos. Serviu em ambiente amazônico em Tabatinga (AM), Manaus (AM) e Imperatriz (MA), tendo realizado o Curso de Operações na Selva do CIGS em 2006.
Foi o Comandante do 50º Batalhão de Infantaria de Selva, sediado em Imperatriz (MA), onde empregou sua tropa nas Operações Verde Brasil 2 e Samaúma. Atualmente, é aluno do Curso de Política Estratégia e Alta Administração do Exército da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Seu Trabalho de Conclusão de Curso aborda a efetividade das ações das Forças Armadas na Operação Samaúma e as proposições para o futuro das operações de GLO de caráter ambiental.
CATASTROFIZAÇÃO
17 de novembro de 2022
“O Brasil vai voltar ao multilateralismo climático com toda a força”: entrevista com Marina Silva
Perda da araucária ameaça cultura indígena Kaingáng
O declínio das matas de araucária na região Sul traz consequências graves para a cultura Kaingáng, que faz do pinheiro importante fonte alimentar, cultural e de resistência.
Ecossistema é um dos mais devastados do Brasil: restam apenas 3% de sua extensão original.
Árvore ocupa espaço nobre na cultura Kaingáng, considerado o terceiro maior povo em população indígena do Brasil, com 45 mil pessoas vivendo no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo.
“Esforços de revitalização da cultura Kaingáng devem estar alinhados à retomada do plantio da araucária nos territórios do povo Kaingáng”, avalia especialista indígena.
Para além de sua relevância ecológica, o desaparecimento da araucária (Araucaria angustifolia) na região Sul ameaça também a sobrevivência de todo um povo: os Kaingáng, terceiro maior em população indígena no Brasil, com um contingente de 45 mil pessoas.
A mata de araucária, também chamada de floresta ombrófila mista, é um dos ecossistemas mais devastados do Brasil. No passado, chegou a cobrir 40% do território do Paraná, 30% de Santa Catarina e 25% do Rio Grande do Sul. Hoje está reduzida a 3% de sua extensão original, conforme dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
“O [povo] Kaingáng precisa existir não só como pessoa, mas também como cultura produzida nesse ambiente da araucária, da floresta, do meio ambiente, sendo esta uma retomada cultural, de resistência”, diz Bruno Ferreira, historiador e doutor em Educação, além de integrante do povo Kaingáng.
A semente colhida da araucária, o pinhão, por exemplo, é consumido de variadas formas: tostado, cozido ou socado no pilão e transformado em uma farofa chamada de pisé. Mas também as espécies vegetais que crescem sob a árvore servem como importante fonte nutricional, a exemplo do urtigão (pyrfér, em idioma Kaingáng); a samambaia (grỹ); o sinjir, uma espécie de trepadeira; e o cogumelo ka nĩgrẽg, retirado do tronco da árvore.
O descanso e as refeições geralmente acontecem debaixo da araucária, momentos em que são transmitidos oralmente os ensinamentos que promovem a manutenção da cultura Kaingáng.
A araucária também compõe os mitos Kaingáng e tem papel importante na composição das metades clânicas Kamẽ e Kanhru, os dois troncos familiares dos quais descendem todos os membros Kaingáng.
“[O pinheiro] traz ensinamentos para as famílias, para a população indígena e para o conhecimento espiritual dos kujá [líderes espirituais do povo Kaingáng], que foram sendo passados pelos nossos antigos”, conta o kujá Pedro Garcia, prestigiado pelo governo do Rio Grande do Sul com o prêmio Trajetórias Culturais em 2021.
O problema é que a maioria das Terras Indígenas onde habitam os Kaingáng não possui mais araucárias.
“Ao distribuir mudas de araucárias, um cacique procurou ajuda e nos contou que as comunidades não tinham mais pinheiro e não poderiam derrubá-lo para o rito anual Kaingáng”, diz Flávio Zanette, pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e referência no estudo da araucária no país há quase 40 anos. O ritual a que Zanette se refere é o Kiki Koj, cerimonial de honra aos mortos, em que o tronco do pinheiro é elemento fundamental para sua realização.
Além do caráter cultural e religioso, a araucária e o povo Kaingáng compartilham também um histórico de degradação do território, com os indígenas sendo expulsos de suas terras tradicionais ao longo de décadas por invasões conjuntas do governo, de posseiros e de pequenos agricultores — os mesmos que, não por acaso, desmataram vastas extensões de matas de araucária.
“No final dos anos 1970 e início dos anos 1980, os pinheiros foram derrubados porque se tinha a ideia de que, no lugar onde havia um mato de pinheiros, poderiam ser produzidas outras plantas. E o espaço deu lugar à produção da monocultura”, pontua Bruno Ferreira. Áreas inteiras no Rio Grande do Sul foram nomeadas de fág kava, “pinheiro ralo” em idioma Kaingáng — um indicativo dos danos causados à mata de araucária nos últimos séculos na região.
Com o tempo, as terras exploradas foram devolvidas ao povo Kaingáng em seu histórico de luta por ocupação territorial. Ainda assim, a população atual hoje se espalha por Terras Indígenas de tamanho reduzido, em acampamentos ou reivindicações à beira do asfalto e em zonas urbanas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo.,
E mesmo as TIs oficialmente reconhecidas sofrem com uma prática que é nociva tanto à sobrevivência da araucária quanto da cultura Kaingáng. É o chamado arrendamento, uma parceria entre não indígenas e indígenas para alugar as terras dos povos originários ao agronegócio.
Expressamente ilegal de acordo com a Lei 6.001 de 1973, conhecida como Estatuto do Índio, o arrendamento foi introduzido pelo próprio governo brasileiro através do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e se mantém até hoje com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai).
O recente dossiê Kanhgág Ga, que reúne informações sobre o arrendamento de Terras Indígenas do Rio Grande do Sul, enviado à Anistia Internacional e à ONU e protocolado em diversos órgãos de apuração competentes no Brasil, aponta a prática como a principal fonte de conflitos e violência nas TIs do estado, com cooptação e corrupção de lideranças indígenas pelas elites econômicas locais para promover crimes ambientais em prejuízo à saúde e à qualidade de vida do povo Kaingáng há décadas.
A erradicação do arrendamento vem sendo discutida de maneira a assegurar a subsistência das comunidades indígenas afetadas cultural e ambientalmente pela prática.
Leia também: Araucárias em rota de extinção são cortadas com aval dos órgãos públicos
Reafirmação do uso ancestral
Mesmo em um cenário difícil, a nobreza dos aspectos culturais e de valores do povo Kaingáng ainda resistem na figura da araucária. Um dos lugares onde isso é visível é na Terra Indígena Mato Castelhano/Fág Tỹ Ka, no norte do Rio Grande Sul, onde vive uma comunidade de cerca de 300 pessoas em uma área de 3.500 hectares.
A população de Fág Tỹ Ka possui um diferencial em relação a outras comunidades Kaingáng, que é o acesso à araucária pela Floresta Nacional de Passo Fundo, que se sobrepõe à TI — uma negociação que custou quase uma década para ser efetivada.
“Nossos antepassados passaram por aqui, meus avós moraram aqui e havia muitas araucárias. Nosso acesso foi difícil, houve bastante resistência de não indígenas e organizações, mas hoje colhemos o cipó, a taquara e o pinhão”, relata o cacique de Fág Tỹ Ka, Jonatan Pỹn Sá, citando diversos recursos da mata de araucária bem conhecidos pelo povo Kaingáng..
A reafirmação do uso ancestral da terra pelo povo Kaingáng a partir da araucária pode sinalizar uma intensificação da tomada de decisões responsáveis no sentido de evitar a perda da árvore nos próximos anos, como analisa Bruno Ferreira.
“A cultura Kaingáng precisa do pinheiro. É a nossa principal planta e seu desaparecimento traz consequências graves porque existe uma destruição da fonte cultural, de alimento e resistência do povo Kaingáng”, diz o historiador. “Esforços de revitalização da cultura Kaingáng devem estar alinhados à retomada do plantio da araucária nos territórios do povo Kaingáng.”
Embora o plantio e o desenvolvimento de araucárias venha ocorrendo nas terras Kaingáng, sua mensuração é dificultada pela informalidade da prática nos territórios indígenas.
Recentemente, notícias sobre plantios em maior escala envolvendo o povo Kaingáng foram registradas, e apontam um total de 10 mil araucárias plantadas em suas terras. A estimativa é de 2019, anterior à pandemia, e reflete ações dos Kaingáng com apoio de parcerias das universidades federais da região Sul.
FONTE: MONGABAY-Notícias ambientais.
11 de novembro de 2022
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