"Os bons ideais aproximam as pessoas que olham o mundo não apenas para si, mas para todos"Rivaldo R. Ribeiro

RINDAT: Descargas Atmosféricas

29 de novembro de 2010

O QUE SÃO TRANSGÊNICOS?

Clique nos links abaixo e fique por dentro sobre os alimentos transgênicos, um problema pouco divulgado pela mídia, mas conforme a ONG GREENPEACE é muito grave, pode trazer danos a nossa saúde e um total desequilíbrio para o meio ambiente.

PAGINA INICIAL SOBRE OS TRANSGÊNICOS:

http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/

28 de novembro de 2010

É preciso planejar com urgência o zoneamento agroambiental da Monocultura da cana-de-açúcar em São Paulo.

      Clique nas fotos para ampliar:

    Foto registrando a Poluição das queimadas ao fundo da cidade de José Bonifácio-SP: região de São José do Rio Preto.

Alem das queimadas naturais, acidentais e criminosas para facilitar o desmatamento.

Nós paulistas ainda temos que conviver com as queimadas também criminosas nos canaviais, o governo esqueceu que o Estado de São Paulo é o Estado que tem a maior densidade demográfica, e isso agrava os problemas de saúde obviamente em maior numero de pessoas.

Portanto pode-se dizer que quase toda a população do interior paulista vem sendo sufocada com a poluição causada pela queima da palha da cana.

Alem disso na regiao de São José do Rio Preto-SP que é uma das mais populosas do Estado,a maioria da cidades dessa região é servida pelo Aquifero Guarani que corre o risco de ser contaminado pelos agrotóxicos da monocultura da Cana de Açucar, atividade que se concentra da vez mais nessa região.

A promessa da mecanização pode melhorar, entretanto nunca irá solucionar o perigo das queimadas, pois os canaviais têm grande facilidade para se incendiar. Será um risco constante a uma tragédia, pois estamos diante de um fogo rápido e difícil de dominar.

Na  região de São José do Rio Preto-SP(Norte do Estado de São Paulo) inúmeros incêndios foram registrados como acidentais e criminosos, ou espontâneos por causa da seca prolongada que atinge a região ano após ano.

Seca que pode ter origem na quantidade de gases que sobem à atmosfera originados destas queimadas. Esses gases influem na pressão atmosférica e contribuem para baixa umidade do ar, desviando as frentes frias que vem do sul do país, estudo nesse sentido já foi feito em MS.

Alem da grande mortandade de animais carbonizados, é uma monocultura altamente modificadora dos biomas locais, pois modifica a fauna(morte de animais), flora(desmatamentos e incendios) e os rios(Sugados para irrigação).

E não podemos esquecer como já citei acima, que as grandes fazendas de cana de açúcar estão exatamente sobre um importante aqüífero: O Aquifero Guarani que supri de agua potável a milhões de pessoas, nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás. E nos países Paraguai, Uruguai e Argentina.



O governo precisa pensar com urgência em um zoneamento agroambiental para que essa monocultura não aumente ainda mais a sua rejeição e antipatia das populações que sofrem seus efeitos negativos.

Mais duas usinas serão construídas na região de São José do Rio Preto.

A TV-TEM de São José do Rio Preto divulgou em setembro desse ano a construção de Duas usinas, uma em Brejo Alegre, outra em Promissão por um grupo estrangeiro Indiano, que irá proporcionar mais plantio de cana de açúcar na região, uma preocupação a mais com o já comprometido meio ambiente.

Serão gerados cerca 1,2 mil de empregos, uma noticia que não é necessariamente um alento, pois não leva o Brasil a um desenvolvimento sustentável, é uma indústria altamente dependente da água, tanto das chuvas como dos rios. Um paradoxo sendo o setor sucroalcooleiro uma das causas das alterações climáticas e assoreamentos dos rios.

Por falar nisso veja:
Condições de trabalho na India.


19 de novembro de 2010

Biocombustíveis fazem mais mal ao clima que fósseis, diz estudo.

Cultura de cana de açucar.

Estudo mostrou que o biocombustível adicional a ser usado na Europa ao longo da próxima década irá gerar entre 81 e 167 por cento a mais de dióxido de carbono do que os combustíveis fósseis.

Os planos europeus de promoção dos biocombustíveis levarão os agricultores a converterem 69 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa em lavouras, reduzindo a oferta de alimentos aos pobres e acelerando a mudança climática, segundo um relatório divulgado por ambientalistas na segunda-feira.

De acordo com esse estudo, o biocombustível adicional a ser usado na Europa ao longo da próxima década irá gerar entre 81 e 167 por cento a mais de dióxido de carbono do que os combustíveis fósseis.

Nove entidades ambientais chegaram a essa conclusão depois de analisarem dados oficiais relativos à meta da União Europeia de que até 2020 os combustíveis renováveis representem 10 por cento do total usado em transportes no bloco.

A equipe energética da Comissão Europeia, que formulou tal meta, argumentou que o impacto não será tão grande, porque os biocombustíveis serão extraídos principalmente de plantações em terras agrícolas atualmente abandonadas na Europa e na Ásia.

Novas estimativas científicas lançadas neste ano colocam em dúvida a sustentabilidade da meta dos 10 por cento, mas autoridades energéticas da UE afirmam que apenas dois terços da meta será alcançada pelos biocombustíveis, e que veículos elétricos, alimentados por fontes renováveis, oferecerão um equilíbrio.

No entanto, estratégias nacionais de energias renováveis publicadas até agora por 23 dos 27 países da UE mostram que até 2020 9,5 por cento dos combustíveis usados nos transportes devem ser biocombustíveis, e que 90 por cento disso virá de cultivos alimentares, segundo o relatório.

O debate gira em torno de um novo conceito, conhecido como "mudança indireta do uso fundiário."

Basicamente, isso significa que transformar uma lavoura de grãos em cultivo de matéria-prima para biocombustíveis fará alguém, em algum lugar, passar fome, caso essas toneladas de grãos a menos não passarem a ser cultivadas em outro lugar.

Os fundamentos econômicos sugerem que esse déficit alimentar seria suprido com a ampliação da fronteira agrícola para áreas tropicais, o que implicaria a destruição de florestas -- um processo que pode gerar enormes emissões de gases do efeito estufa, pela queima ou apodrecimento das árvores, revertendo eventuais benefícios que os biocombustíveis deveriam trazer.

O relatório diz que a estratégia da UE para os biocombustíveis poderia gerar 27 a 56 milhões de toneladas adicionais de gases do efeito estufa por ano. No pior cenário, isso seria equivalente a colocar 26 milhões de carros nas estradas europeias, diz o estudo.

Produtores tradicionais de biocombustíveis argumentam que a UE não deveria alterar suas políticas de promoção dos biocombustíveis levando em conta as novas estimativas científicas, porque estas ainda são incertas.

"Qualquer política pública baseada em resultados tão altamente contestáveis seria facilmente desafiada na Organização Mundial do Comércio," disse o representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Emmanuel Desplechin.
FONTE:
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

15 de novembro de 2010

Somos praga no planeta? Artigo de Maurício Gomide Martins

Praga tem diversas acepções, mas a definição objeto de nossas considerações é simplesmente a que se refere à quantidade excessiva de um fator num sistema, desqualificando o próprio sistema. Em outras palavras: presença em quantidade superior à que um sistema coeso consegue suportar. Essa situação só pode ocasionar o desequilíbrio entre as forças de qualquer ambiente, causando o desarranjo harmônico entre as partes e, consequentemente, o caos.

Sobre esse princípio são construídas as principais máquinas destrutivas para a guerra. Um exemplo simples é o da granada. Contido em espaço restrito, numa situação de estabilidade, basta o conteúdo ser transformado em gás para que ele cumpra sua missão química de expansão, causando a desordem pontual e suas calamitosas conseqüências. O poder destrutivo da granada se deve à extrema rapidez – praticamente instantânea – da ocorrência das fases do processo.

No campo biológico, ocorre o mesmo roteiro apontado acima, só que em tempo muito mais lento. O dano, no entanto, pode ser considerado equivalente.

Quando um agricultor verifica que apareceram insetos sugadores (digamos, o percevejo verde) em sua lavoura de soja, contrata um agrônomo para cuidar do problema. O profissional comparece ao campo de plantio e faz uma análise da situação. Colhe uma amostra estratificada e faz seu ajuizamento, no qual pondera diversas circunstâncias: tamanho e estágio vegetativo da lavoura, índice da incidência dos insetos, cálculos sobre capacidade de produção, custos diversos, etc. Após ponderar os dados obtidos, formará um juízo técnico para a ocasião.

Poderá dizer ao agricultor que nada deve ser feito no combate aos insetos no momento. Acrescentará, naturalmente, que a invasão ainda não constitui uma ameaça à lucratividade da colheita estimada. Seu veredito vale para aquela visita, em função do aspecto econômico. Suas análises semanais posteriores guiarão as conclusões parciais ou definitivas.

Enquanto o agrônomo trabalha, os hóspedes indesejados, inocentes e alheios a tudo, continuam no seu labor natural de vida. Estão ali, num campo farto de alimento e cumprem o objetivo natural da reprodução. O instinto não lhes informa nem eles são capazes de medir as conseqüências do crescimento populacional. Prosseguem o roteiro natural, em obediência ao imperativo genético. Não sabem que, ao atingirem certo índice de infestação, o agrônomo decretará a mudança do seu nome: de percevejo para praga, nome genérico terrível que iguala todos os seres que se atrevam a serem protagonistas do desequilíbrio ambiental.

A reação será violenta. É uma situação extrema de luta de vida ou morte. Nessa qualificação de praga, a decisão do profissional não mais será a de tolerância, mas a de combate mortal com uso de todo o arsenal disponível, inclusive o químico. Assim, a tragédia da mortandade naquele ambiente agrícola será irreversível. Os agrotóxicos varrerão da vida todos os habitantes da cultura, inclusive os inocentes insetos benéficos que ali estavam tentando manter o equilíbrio biológico.

Se tal lavoura fosse deixada ao seu próprio destino, sem assistência do profissional, o prejuízo para o lavrador seria total. Como fonte alimentícia para o percevejo, tenderia ao esgotamento total, levando à inanição e morte toda a comunidade hospedeira. As disponibilidades ambientais se extinguiriam e a situação mudaria para um estado caótico em que a tragédia não pouparia ninguém e somente a Natureza saberia como estabilizar.

O animal humano, que se faz representar em todo o globo por sua população de quase 7 bilhões de indivíduos, com sua visão egoística e interferindo na dinâmica ecológica da terra, dos rios, dos mares, da atmosfera, provoca os mesmos danos que o percevejo da soja. A diferença é que, no exemplo citado, fizemos um enfoque no trabalho de um agricultor mantendo um objetivo produtivo. Já no enfoque da situação real por que passa o planeta em seus recursos, a fome dos humanos é contínua e geometricamente cumulativa: fome alimentícia; fome de lucro; fome de comodismo; fome de grandeza; fome de supérfluos; fome de entesouramento. Segundo os cálculos atualizados, as ações humanas retiram do planeta 40% a mais do que ele consegue disponibilizar pela dinâmica natural.

Há, portanto, uma queima de capital, um déficit de recursos, uma desproporcionalidade, um desequilíbrio ambiental gravíssimo. Estamos gastando o futuro para o qual nossos descendentes nascerão munidos da vã esperança de viver em ambiente sustentável.

Alguns animais demonstram possuir um instinto muito mais eficiente que a inteligência humana. Ante a visão crítica de uma superpopulação, certos animais procedem de modo inteiramente racional. O lemingue do norte-europeu resolve o problema com o suicídio em massa. As abelhas excedentes de uma colméia abandonam o lar numa revoada incerta, procurando formar nova colônia. As lulas entram em coma pré-morte sobre seus próprios ovos, numa fantástica demonstração de renúncia à vida-elo em beneficio à vida-corrente.

Não estamos recomendando suicídio a ninguém, mas sugerimos que o animal humano tem a capacidade mental de equacionar e solucionar seus problemas existenciais. Ainda há um tempo curtíssimo, mas alertamos que aos poucos ele se esvai, e a solução se tornará impossível.

Considerada a pegada ecológica, a população mundial equivale, no mínimo, a 100 vezes seu número nominal. Por isso, mudamos de nome. Não somos mais o animal racional, o rei dos seres vivos, o centro do universo; somos simplesmente praga. Deixamos de ser animais racionais para sermos predadores da própria mãe Terra, aquela que nos fornece, com amor e ternura, abrigo, alimento, vida.

Dois fatores incisivos nos levam a essa situação trágica: o antropocentrismo e a ganância. Nós nos esquecemos que o ecossistema inclui a biodiversidade e que nossa individualidade é transitória. Nós, como animal humano, não somos indivíduos, somos a humanidade, parte do todo planetário.

Nessa situação, só nos resta aguardar que um agrônomo celestial venha salvar a Vida planetária, tirando-nos a existência e toda a riqueza material que, paradoxalmente, teimamos em acumular.

Somos praga no planeta. Não aceitamos esse nome, pois o egocentrismo de espécie cega nossa razão. Contudo, essa cegueira não impede que sejamos praga e, nessa qualidade, já selamos nosso destino.

Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.


Fonte:Portal EcoDebate Cidadania e Meio Ambiente

23 de outubro de 2010

Uso das águas do rio São Francisco na Paraíba: crônica de um insucesso anunciado, artigo de João Suassuna.

“Quem tem água tem tudo!”….. Será?

[EcoDebate] No início do mês de outubro, fomos convidados para participar da III Semana de Geografia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), campus de Cajazeiras, proferindo uma conferência sobre a hidrologia do Nordeste seco, com enfoque na transposição do rio São Francisco. Na ocasião, com vistas a conhecermos e avaliarmos melhor o estágio em que se encontra o projeto da transposição na Paraíba, a UFCG nos possibilitou uma visita ao canteiro de obras, localizado no município de São José de Piranhas, distando cerca de 32 km de Cajazeiras.

Nessa visita, fomos acompanhados por representantes do sindicato dos trabalhadores rurais de São José de Piranhas, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), e de professores da referida universidade. Nas obras, pudemos verificar o ritmo acelerado em que se encontram, o que nos motivou a refletir sobre as consequências que serão impostas ao ambiente natural do Semiárido paraibano, quando da chegada das águas do São Francisco naquela região.

Inicialmente, procuramos manter contatos com alguns produtores rurais da localidade Curral das Onças, por onde passará o canal do Eixo Norte do projeto, para ouvir deles suas expectativas quanto à chegada das águas nas suas propriedades. O que pudemos constatar foi a existência de unanimidade na expressão “quem tem água tem tudo”. Em nossa opinião, não é bem assim que as questões hídricas devam ser encaradas naquela região, principalmente sendo ela detentora de ambiente natural de notável singularidade no tocante à sua vegetação do tipo caatinga, a sua geologia cristalina e um clima diferenciado, com irregularidade nas chuvas, temperaturas elevadas e evaporação exacerbada. Temos que questionar, sim, esse tipo de assertiva, principalmente partindo de pessoas que não possuem os mínimos conhecimentos técnicos necessários à condução de práticas irrigacionistas, dentro de parâmetros técnicos adequados, notadamente em uma região de geologia e clima extremamente complexos como os ali existentes.

Do jeito que essas questões estão sendo postas pelos agricultores, parece-nos existir uma enorme desinformação, não só sobre o percurso que as águas irão realizar até a chegada na referida localidade, mas, e principalmente, sobre as conseqüências que uma irrigação mal conduzida será capaz de trazer ao ambiente natural da região. No nosso modo de entender, diante das características ambientais e da falta do conhecimento técnico necessário à condução dos sistemas produtivos, isso irá acarretar um enorme fracasso, quando as águas do Velho Chico começarem a chegar àquela localidade e, posteriormente, serem utilizadas na irrigação.

Existe também outro complicador a ser considerado, que é a falta de clareza no projeto, no que diz respeito à forma de como as águas irão chegar às torneiras das populações. O que está claro é que as águas do São Francisco irão abastecer as principais represas nordestinas, após o que, serão utilizadas no agro e hidronegócio. O dimensionamento dos canais, com suas capacidades de transportar grandes volumes de água, dão provas disso.

Para chegarem ao extremo oeste paraibano, por exemplo, as águas do rio São Francisco terão que, necessariamente, percorrer dois túneis que estão em fase de construção. No primeiro (Cuncas 1- com cerca de 15 km de comprimento), as águas virão do município de Maurití, no estado do Ceará, passarão por sob o município de Monte Horebe, no estado da Paraíba, e desembocarão na Represa dos Morros, a qual está sendo construída próxima ao município de São José de Piranhas. Uma vez nessa represa, as águas serão conduzidas para um segundo túnel (Cuncas 2 – com cerca de 4,5 km de comprimento) para chegarem em Cajazeiras e, de lá, continuarem seu destino para os estados do Ceará (abastecendo a represa do Castanhão, na bacia do Jaguaribe) e Rio Grande do Norte (abastecendo as represas Santa Cruz, na bacia do Apodí e Armando Ribeiro Gonçalves, na bacia do Piranhas-Açu).

Além de dar uma idéia da magnitude do projeto, o propósito desse relato foi o de, também, denunciar os usos inadequados que serão dados às águas do rio, notadamente por aqueles que se iludem ao acreditar que o sucesso da irrigação está no acesso, puro e simples, à água e nada mais. Sob esse aspecto, a transposição na Paraíba poderá se somar aos insucessos havidos em outras regiões semiáridas do Nordeste. Referimo-nos aos reassentamentos de populações, ocorridos quando da construção do lago da hidrelétrica de Itaparica, sob a responsabilidade da Chesf. Naquela obra, populações inteiras que sobreviviam nas margens do rio São Francisco, com a irrigação, principalmente das culturas da cebola e do alho, produzidas sobre solos de aluvião, passaram, após o enchimento da represa, a ocupar terras mais elevadas e distantes de sua cota máxima de represamento, ou seja, as novas áreas de plantios irrigados passaram a ser localizadas sobre terrenos de geologia cristalina. Nessas novas áreas, os solos, em sua grande maioria, se apresentavam pedregosos e com níveis de fertilidade bastante inferiores quando comparados aos solos de aluvião, citados anteriormente. Esses problemas surgidos chegaram a obrigar alguns produtores rurais a mudarem seus sistemas produtivos, muitos deles passando a criar pequenos ruminantes (caprinos e ovinos), em substituição às culturas irrigadas. Alguns produtores conseguiram se adaptar a estas novas iniciativas, outros não.

O caso dos produtores em São José de Piranhas é semelhante ao que foi exposto acima. Nas conversas mantidas com eles, isso ficou muito claro. No sítio Curral das Onças, por exemplo, a área produtiva da propriedade ficava localizada em uma região de baixio, cujas características dos solos (aluvião) permitiam ao produtor, colheitas satisfatórias, principalmente do arroz, da mandioca, do milho e do feijão. Segundo podemos constatar, essa área era considerada a de maior riqueza da propriedade, devido não apenas a sua fertilidade natural, adquirida ao longo de eras, mas, e principalmente, pela existência de índices adequados de umidade, necessários ao sucesso de produção das culturas. Ocorre que essas áreas férteis e produtivas nessa propriedade irão ficar submersas com a construção da Represa dos Morros. Indagado sobre as expectativas da chegada das águas do rio São Francisco em sua propriedade, o produtor respondeu que estava para receber uma indenização, e que iria iniciar um trabalho de irrigação numa área mais altas da propriedade, e esperava, com essa mudança, colher produções semelhantes àquelas obtidas em seus baixios. Ora, não demoramos muito para concluir que as possibilidades de insucessos nessas novas investidas eram muito elevadas. De característica geológica cristalina, a parte mais alta de sua propriedade apresenta solos de difícil drenagem. Somadas a essas dificuldades, à presença de condições climáticas severas, que implicam em elevados índices de evapotranspiração, e a condução de uma irrigação contínua e sem a assistência técnica necessária, são apontadas como a receita para o início de um processo severo de salinização daquela área.


Alertamos que foram as dificuldades de se proceder às drenagens no Nordeste seco, as principais causas da salinização em cerca de 30% das áreas dos perímetros irrigados do DNOCS. A salinização será, sem dúvida alguma, a conseqüência mais severa a ser imposta pelo projeto, ao meio ambiente em São José de Piranhas, por aqueles que vêm na irrigação uma atividade simples, cuja condução se restringe, única e exclusivamente, a se “colocar a água no pé das plantas” e nada mais. Em tais casos, tem que haver a preocupação com outras condicionantes de igual importância, como as drenagens e as qualidades das águas e dos solos, entre outros.


Isso posto, fica o nosso alerta, para aqueles que estão sendo indenizados pela passagem dos canais em suas propriedades, sobre a necessidade de se contar com uma assistência técnica de bom nível, para as orientações necessárias à implantação de sistemas alternativos de produção, em substituição às irrigações que vinham sendo praticadas anteriormente. Essa será a forma de se minimizar os problemas que serão causados por um projeto que foi dimensionado, prioritariamente, para o benefício do grande capital.

Recife, 21 de outubro de 2010

João Suassuna, articulista do EcoDebate, é Engº Agrônomo e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco.

EcoDebate, 22/10/2010


FONTE: PORTAL ECODEBATE-Cidadania e Meio Ambiente

18 de outubro de 2010

Abraço na natureza.

Rivaldo R.Ribeiro-José Bonifácio-SP.
Foto Kleber Ribeiro

Essa foto é um exemplo para todos nós, um recado da mãe natureza que não limita espaço algum para seus filhos, é um recado que todos poderemos viver em PAZ se soubermos dividir e reconhecer o espaço que couber a cada um de nós.


As divisões e lutas por espaços cada vez maiores nos leva a ficar sozinhos, porque as distâncias irão ficar maiores e será impossível  um abraço fraterno e amigo como parece dessas duas arvores.


Talvez os vegetais compreendam melhor a vontade de Deus do que nós, por isso que eles nascem e vivem sempre em grupos formando jardins e florestas em harmonia.

26 de setembro de 2010

LIMITES DAS CIDADES...

Essas fotos são de um bosque que já está sendo engolido pelo desenvolvimento da cidade de José Bonifácio-SP. Veja que uma rua do loteamento passa a margem dessa reserva legal, que foi vitima de uma queimada que por pouco não causa um desastre maior. O fogo foi debelado com a ajuda do Corpo de Bombeiros, Populares e um caminhão pipa de uma Usina de álcool.

Não se sabe se foi criminoso ou instantâneo, mas de qualquer forma a presença humana colaborou para que o fato ocorresse.
                            CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIA-LAS...












Fotos Rivaldo R.Ribeiro

13 de setembro de 2010

UM ALERTA! Quem não se adaptar irá conseguir sobreviver?


O aumento do calor por causa do aquecimento global está levando as pessoas a fugirem de uma realidade que no futuro pode ser cruel se não estiverem adaptadas.

O comodismo que tem origem nos altos padrões de vida de muita gente pode ser um tiro pela culatra. Instalam aparelhos de ar condicionado em todo canto: nos apartamentos, ambientes de trabalho, veículos etc. Mas isso pode nos impedir de uma necessária adaptação para um novo clima que se prenuncia.

Notei essa diferença quando vi que alguns colegas sentiam muito calor como se estivessem diante de uma fornalha, sendo que naquele momento eu sentia apenas calorzinho suportável, e eu não gosto de aparelho de ar condicionado...

Resolvi pesquisar outros colegas e fazer a comparação entre os “refrigerados” e os que apenas se refrescavam com ventiladores. Cheguei à conclusão que os “refrigerados” realmente sentiam muito calor no verão, a tal ponto de chegarem à beira de um colapso.

Isso também podemos comprovar fazendo uma comparação entre os povos que vivem em paises frios, e os que vivem nos paises tropicais como o Brasil. O turista desses paises sente muito a diferença no clima quando viajam para outras paragens longe de seu habitat natural.

Essa adaptação segundo os cientistas está havendo em todos os ecossistemas.

E os humanos vão continuar fugindo e se escondendo atrás de sua tecnologia de “refrigerados”, que em nada pode contribuir para sua adaptação para uma nova temperatura que se desenha no horizonte como apocalíptica?

É um drama que não iremos escapar, pois vivemos todos num mesmo planeta que nós condenamos por causa da insensibilidade, egoísmo, ganância de uma minoria que sempre foi alicerçada no apoio da maioria cega e desesperada pela fome e seus empregos.

Rivaldo R.Ribeiro-José Bonifácio-SP.

MAIS INFORMAÇÕES...

31 de agosto de 2010

QUEIMADAS EM CANAVIAIS-JOSÉ BONIFÁCIO-SP

Imagens de queimadas nos canaviais no município de José Bonifácio-SP. 









O resultado final das queimadas é um grande prejuízo a fauna(muitos animais mortos), a flora( desmatamento e a modificação dos biomas atingidos prejudicando as espécies já adaptadas)
E conforme mostra a foto abaixo os gases que formam na atmosfera, colaboram para o aquecimento global, chuva ácida e um grave problema de saúde as pessoas das cidades vizinhas. 

25 de agosto de 2010

SINAIS NO CÉU

Eu dirigia pela avenida Bandeirantes rumo de casa, estava estressado e queria paz e sossego , mas não imaginava que ao olhar para o horizonte os sinais no céu me chamariam a atenção.

Olhando entre os prédios e árvores eu via a frente o que pareciam nuvens de chuva, entretanto o período que estamos atravessando é de muita seca. As chuvas pelo jeito que o clima anda sinaliza que  não vai aparecer tão cedo... E uma das prováveis causas da seca na região são as fumaças das queimadas que podem afastar as nuvens de chuvas.

Peguei minha câmera digital e comecei a registrar as "nuvens" de fumaça que se originavam  de uma  queimada próxima a nossa cidade (José Bonifácio-SP.)

Um problema que vem se agravando, pois é nociva a natureza, matando animais e destruindo espécies, polui a atmosfera e causa várias doenças respiratórias em crianças, idosos, alérgicos e pessoas de baixa resistência.

Estamos vendo a transformação de pequenos biomas por causa da proliferação da monocultura da cana de açúcar e suas queimadas. Além de prejudicar a fauna e flora, o clima da nossa região está modificado. Ano após ano os períodos de seca vem aumentando, e as chuvas quando chegam são torrenciais e quase sempre em forma de tempestades.

Ai podem afirmar: mas o aquecimento Global está piorando pela poluição no mundo todo. Sim em cada parte do mundo existe uma causa para essa tragédia climática. E aqui na nossa região a mais visível e poluidora são as queimadas nos canaviais e o deserto verde da monocultura da cana de açúcar. 
É só ver os sinais no céu...   

Clique nas fotos para vê-las em forma de slides:










Nuvens de gases aproximam da  cidade, sinto algo estranho ... é como se estivéssemos vivendo uma guerra química...
OBS. As duas fotos em seguida é o fundo do condomínio Terra Nostra, bairro de José Bonifácio-SP



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As fotos abaixo são do alto do Jardim Aclimação.








Fotos : Rivaldo R. Ribeiro

24 de agosto de 2010

QUEIMADAS AGRÍCOLAS: COMPOSIÇÃO FÍSICA E QUÍMICA NA FUMAÇA DAS QUEIMADAS.




Fotos de uma queimada e o resultado das fuligens nos quintais das moradias 
(Foto Rivaldo R.Ribeiro- Arquivo)


A fumaça, as fuligens agridem o meio ambiente e é prejudicial à saúde da população.
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Agressão à saúde –

Segundo artigo do médico e professor universitário José Carlos Manço, mais de 70 produtos químicos já foram identificados na fumaça resultante das queimadas, sendo que muitos desses produtos são tóxicos ou têm ação cancerígena. De modo geral, os componentes básicos da poluição atmosférica resultante das queimadas são:
Material particulado –
Mais de 90% da massa de partículas encontradas na fumaça produzida pela queima de produtos vegetais, como é o caso das queimadas nos canaviais e das queimadas urbanas, consiste de partículas finas, justamente a fração de material particulado (MP) que maior prejuízo traz à saúde. Essas partículas medem menos do que 10 micrômetros (milésima parte do milímetro), são invisíveis a olho nu, e podem ser levadas para dentro dos pulmões através do ar inalado na respiração. As partículas maiores não chegam a penetrar profundamente no aparelho respiratório, pois ficam retidas nas narinas e nas vias aéreas superiores, mas nem por isso deixam de ser prejudiciais. As partículas maiores, visíveis a olho nu, representam o “carvãozinho” que se deposita no chão e nos objetos quando ocorrem queimadas.
Substâncias cancerígenas –
As partículas descritas acima contêm, além do elemento carbono (principal constituinte do carvão), um número muito elevado de substâncias químicas, que formam o grupo de Material Orgânico Particulado (MOP).

A combustão de matéria orgânica, como nas queimadas, é uma das principais fontes do MOP encontrado na atmosfera. Entre as substâncias presentes no MOP, há os compostos conhecidos pelo nome de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs), muitos deles com propriedades carcinogênicas (causadoras de câncer), como é o caso do Benzopireno, Benzofluoranteno, Benzoantraceno e Benzofenantreno.
Gases tóxicos –

As queimadas lançam na atmosfera gases tóxicos tais como aldeídos (vários), dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono. Sob a ação da irradiação solar, o monóxido de carbono, na presença de óxidos de nitrogênio e outros produtos orgânicos (hidrocarbonetos), sofrem reação química formando ozônio (O3), que é um gás extremamente tóxico e irritante para as mucosas e o aparelho respiratório.

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23 de agosto de 2010

29 de maio de 2010

Um ponto azul no universo

Eu estava navegando por entre as galáxias procurando algo no espaço que realmente fosse lindo, encontrei asteróides de gelo, pedras pontiagudas e hostis.


Encontrei planetas mortos, sistemas solares sem vida, não tinha como desistir dessa viagem, pois meu ponto inicial de partida já estava perdido no universo, dessa forma teria que continuar navegando pelo infinito, mas infinito não tem fim, assim envelheceria no espaço sideral até a fim da minha vida...

Minha nave estava preparada para essa viagem, até que olhei ao acaso por uma janelinha lateral e vi entre estrelas amarelas, vermelhas e ofuscadas: um pequenino e micro ponto azul.

Mesmo a milhões de quilômetros, milhões de anos luz. Esse pontinho azul parecia ser lindo, transmitia paz, se fosse habitado seria por seres maravilhosos, fraternos e amorosos.

Resolvi direcionar minha nave para minha estrelinha desconhecida...





Qual seria a minha surpresa?